Na disputa da preferência de mercado e também de novos adeptos para a criação de animais as associações de criadores de bovinos investem cada vez mais em parcerias com instuições de pesquisa para comprovar as boas características de suas raças e também da carne que esses animais podem render. A palavra do dia é ofertar animais que possam resultar em alimento de qualidade e atender ao apelo de consumo mundial: a segurança alimentar.
Cada raça tem o seu lugar no mercado, argumentam técnicos da área de produção animal. Os trabalhos de pesquisa, para comprovação, e de marketing, para divulgação, crescem no mesmo ritmo que a produção de animais. Hoje o Brasil tem o maior rebanho comercial do mundo, cerca de 165 milhões de cabeças, e pode ser o grande fornecedor mundial da proteína animal. Além disso, o objetivo dos pecuaristas é aumentar o consumo interno, provando que a carne é um alimento saudável e retirando mitos sobre o consumo do alimento. Na média se diz que existe um boi para cada habitante no País.
Há grande concorrência no mercado interno, que consome mais de 80% da produção de carne, e o anseio em conseguir novos mercados, especialmente nos países da Europa. Uma das formas de comprovar a qualidade do produto brasileiro tem sido a criação de serviços de informação sobre a carne disponibilizando índices não só de produção e produtividade, mas também do valor nutricional do alimento.
‘‘A carne é um alimento completo, rico em proteínas e deve ser utilizada em uma dieta saudável. Nesse sentido, o Brasil tem uma grande vantagem: o gado é criado a pasto, a carne é saborosa e bem mais magra do que a produzida nos Estados Unidos, por exemplo’’. Essa é a avaliação do professor associado de Cardiologia da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, Igor Palácios, que esteve no Brasil, em junho.
Considerado um dos maiores especialistas do mundo em prevenção a doenças do coração, Palácios conheceu de perto o zebu brasileiro, gado que compõem 80% do rebanho nacional. O especialista participou do 1º Simpósio Internacional de Cardiologia, da Faculdade de Medicina do Triângulo Mineiro, em Uberaba (SP), e aproveitou para para visitar um propriedade rural.
Técnicos da Associação Brasileira de Criadores de Zebu (ABCZ) levaram o cardiologista para conhecer as instalações da Agropecuária Diamantino, que trabalha com a seleção de zebuínos da raça nelore. ‘‘A gordura na carne de zebu é superficial, pode ser retirada’’, disse Palácios durante a degustação de um churrasco promovido pelo pecuarista Diamantino Silva Filho.
Palácios afirmou que é um ‘‘apreciador de carnes e defensor do consumo balanceado do produto.’’ O especialista explicou que os cinco principais fatores de risco para doenças do coração são: genética (questão familiar), hipertensão, diabetes, cigarro e colesterol elevado.
O especialista americano explicou durante sua visita que existem muitos mitos com relação a carne vermelha associados ao aumento de colesterol. ‘‘Existem alimentos que são mais ricos que outros em colesterol. Mas isso não quer dizer que eles não podem ser consumidos. Só não podem ser consumidos em excesso’’, explicou. ‘‘Por ser de origem animal, a carne é um desses alimentos. No entanto, sabemos que existem carnes diferenciadas. Por isso, é bom ter a preocupação de comer uma carne mais saudável’’, recomendou Palácios.
O cardiologista avaliou ainda que o Brasil pode estar na frente de outros países produtores de carne e fornecedores mundiais da proteína animal pelo sistema de criação existente no País. ‘‘Ser alimentado exclusivamente a pasto é uma grande vantagem do gado brasileiro. Nos Estados Unidos e na Europa, onde a carne bovina tem gordura entremeada, é bem diferente’’.
Além das características inerentes à carne magra, a pecuária brasileira, de acordo com Palácios, agrega valores importantes no aspecto sanitário, uma vez que não conta com o risco de contaminação da Encefalite Esponjiforme Bovina, a doença da ‘‘vaca louca’’.
‘‘Estou surpreso com a pecuária brasileira. Lá fora, todo mundo quer conhecer a carne do boi a pasto, mas a idéia que temos é que tudo isso é uma realidade da Argentina e, não, do Brasil’’, concluiu o cardiologista.
Serviço: A carne proveniente de animais zebuínos será tema principal do 5º Congresso Brasileiro das Raças Zebuínas, que acontecerá, em Uberaba (MG), de 27 a 30 de outubro, no Centro de Eventos da ABCZ. Este ano o evento tem como tema: Os Mitos e a Realidade da Carne Bovina, do Pasto ao Prato.

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