A proliferação de morcegos é responsável em parte pela redução da produtividade do rebanho e até de mortes de animais nas propriedades rurais. Na região Sul do País o controle da população de morcegos hematófagos (que se alimentam de sangue) é feito com frequência, o que praticamente eliminou a incidência de casos de raiva. Nos últimos seis meses apenas um bovino morreu de raiva no Paraná, segundo informa Silmar Pires Burer, chefe do Programa de Controle de Morcegos Hematófagos da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento (Seab).
Pelo desenvolvimento de técnicas científicas para o controle ostensivo da população de morcegos hematófagos, o Paraná conseguiu alcançar uma situação invejável. Isto porque nos Estados da Federação, excluindo os três do Sul, os prejuízos somam US$15 milhões por ano com a morte de animais sugados. O sitiante Pedro Procoshi, de Bocaiúva do Sul, afirma que os animais da chácara para a qual trabalha perdem em média meio litro de leite por dia, quando sugados pelos morcegos.
Investimento e controlePara manter o controle da raiva em herbívoros no Estado, a Seab investe anualmente R$200 mil. Com os investimentos na causa (controle da população) e não nos efeitos (raiva), a Seab conseguiu uma situação inédita, ao empreender uma campanha de vacinação que em 1997 atingiu apenas 300 mil animais de um rebanho de 9 milhões de cabeças. ‘‘Com investimentos pequenos, conseguimos o controle da doença’’, afirma o técnico.
‘‘Mas se o fluxo desses investimentos for interrompido, a raiva voltará num período de cinco a dez anos’’, alerta Silmar Burer. Segundo o técnico, doenças transmitidas por vetores ou transmissores biológicos precisam da interação com o meio ambiente. ‘‘Se não houver uma ação nesse sentido, a sociedade paga um preço alto por isso, a exemplo do que está ocorrendo com a dengue e com a possível volta da tuberculose, como está sendo especulado’’, lembra.
Burer reconhece e aponta a conscientização do pecuarista paranaense como referência para outros Estados, onde a situação é de calamidade. Aqui, o produtor vem dando sua contrapartida, por meio da aquisição de vacinas e do uso de produtos vampiricidas nos animais sugados. Segundo o técnico, nos Estados dsa regiões Central e Norte, onde não é feita a profilaxia, podem-se encontrar populações com até 200 morcegos em cada colônia.
ResultadoNo Paraná, a Seab cadastrou 620 abrigos de morcegos hematófagos, dos quais 430 não exibem mais os vestígios da existência desses animais. Em outros 190 abrigos são encontradas populações reduzidas para no máximo entre 10 e 15 animais por colônia. Mesmo assim, todos os abrigos são frequentemente revisados, garante. A ocorrência de morcegos hematófagos é ligada a duas variáveis: alimento e abrigo.
No Sul, entre Curitiba e Ponta Grossa, os morcegos encontram abrigos e alimentos. Segundo ele, a existência de cavernas, grutas e furnas atrai os animais, que encontram alimento nas propriedades rurais. Nas regiões Norte e Noroeste o alimento é farto, mas os abrigos são reduzidos. Geralmente os morcegos se alojam em bueiros de estradas, ocos de árvores e casas abandonadas no meio rural. Na região Sudoeste, o abrigo preferido é o Parque Nacional do Iguaçu, mas os morcegos preferem atacar os animais domésticos da periferia do parque. Estes são mais dóceis e não exigem tanto gasto de energia. Já os animais silvestres são muito ágeis e o ataque a eles não é tão fácil, porque ficam alertas a noite toda.
A forma de comunicação entre os morcegos e a identificação de odores facilita o ataque às presas. Os morcegos se comunicam em frequências e sons diferentes, que apenas eles entendem. Eles emitem o som e captam o eco, refletindo a existência de obstáculos como paredes e árvores. Trata-se de um sistema biológico similar ao ‘‘sonar’’, aparelho de radar utilizado pelos navios.

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