A maior qualidade do volumoso evita que se gaste mais dinheiro com rações

Para fazer a silagem ou a fenação, a melhor forrageira é aquela que o produtor tiver disponível na sua propriedade. A lavoura de milho para silagem, por exemplo, deve ser tão boa quanto a de grãos. Outras opções seriam o sorgo ou o napier. No caso da fenação é indicado usar gramas como a estrela roxa, a coast-cross ou a tifton, entre outros materiais.
O produtor tem que entender que quanto pior for a qualidade do volumoso fornecido aos animais maior será a necessidade de utilização de rações concentradas, aumentando com isso seu custo de produção. O alerta é do veterinário José Garcia Pretto, da Milk Center, de Londrina.
Muitas vezes o produtor utiliza parte da sua área de cultivo do milho para fazer silagem. ‘‘O que ele está fazendo é transferindo o prejuízo da agricultura para a pecuária, seja de corte ou de leite. O segredo está em produzir o melhor volumoso possível. Só desta maneira ele estará viabilizando a sua atividade’’, argumenta.
Planejamento‘‘O planejamento da lavoura com antecedência, plantio na época certa, escolha do híbrido (casos do milho e sorgo) adaptado às condições do solo e do clima da região, são ingredientes para aumentar o percentual de grãos da silagem’’, avisa o zootecnista Luis Antonio da Silveira Keplin, do Centro Tecnológico da Pioneer, em Londrina.
Outro alerta dos técnicos é quanto ao número de plantas por área. Para o milho de silagem, por exemplo, o número deve ser igual ao usado na produção de grãos. A orientação é para escolha de um híbrido adaptado, de porte baixo, capaz de promover maior número de grãos e espigas na silagem e redução de colmos (parte de menor qualidade), sem com isso reduzir a produtividade por hectare (ha). Hoje se espera uma média de 40 a 60 t/ha.
Plantio e colheitaO milho para silagem é plantado em agosto/setembro. O ciclo varia de 100 a 120 dias até atingir o ponto de colheita. Para uma boa colheita deve ser observada a chamada ‘‘linha do leite’’, quando o grão deve ter 60% a 70% de textura dura, na parte superior, e o restante em fase leitosa.
O milho verde, colhido antes do ponto, resulta em má-fermentação e, principalmente, perda de líquido. Também altera o valor energético da silagem. Já o milho colhido seco dificulta compactação e colabora para o aparecimento de fungos, afetando a qualidade do alimento e reduzindo o desempenho do animal.

Lavoura de milho
para silagem deve
ser tão boa
quanto a de grãos


A boa distribuição do material no silo e a eficiente compactação são importantes. A maioria dos técnicos aconselha o uso de inoculante que auxilie a fermentação e a conservação da silagem. O zootecnista defende que o resultado econômico do inoculante é de R$ 1 para R$ 4 ou R$ 5 de retorno, pelo aumento da produtividade do leite ou da carne dos animais.
Erro antigoDe acordo com Keplin, uma das principais falhas na preparação da silagem ainda está na altura do corte do milho. Normalmente o produtor tem cortado o milho com 20 centímetros ou até rente ao solo, o que é um erro. A altura do corte deve ser ao redor de 40 cm. À medida que se corta mais alto, consegue-se melhor digestibilidade, maior quantidade de energia e volume de matéria seca, além de melhor capacidade de ingestão pelos animais.
A parte inferior do milho (abaixo dos 40/50 cm) resulta em silagem de baixa digestibilidade, com apenas 45% de aproveitamento pelos animais e cerca de 3% de proteína. Com o corte aos 40/50 cm, consegue-se planta com boa quantidade de potássio e cálcio. A proteína fica entre 8,5% e 9%, além de 70% a 75% de aproveitamento da silagem pelos animais.
Plantio do sorgoO sorgo, alternativa para alimentação dos animais, poderia dividir áreas na propriedade no verão ou antes do inverno com o próprio milho. O granífero produz grãos e é indicado para compor ração de bovinos, aves e suínos. O forrageiro é mais usado para silagem e pode ser fornecido, aos animais, cortado no cocho. E o sorgo de duplo propósito serve para colheita de grãos ou pastoreio.


Arquivo FolhaOpção Sorgo, uma alternativa de qualidade que poderia ocupar parte da área do milho


O sorgo forrageiro pode ser usado no pastoreio ou servido no cocho até fevereiro/março, quando começa a escassez de chuvas e não há mais rendimento ou frequência de corte. Nesta época o produtor pode deixar a área crescer, usá-la no pastoreio e, se tiver sobra, fazer feno como opção de volumoso.
Na Região Sul do Brasil a época de plantio ideal é setembro, podendo estender-se até outubro. As informações de plantio, cultivo e condução são as mesmas utilizadas para o milho. O produtor deverá caprichar no espaçamento, adubação e outras condutas necessárias para alcançar boa produtividade.
Os técnicos alertam que o sorgo pode também ser plantado em fevereiro, como alternativa, mas se deve manter as demais tecnologias, trabalhando com menor densidade porque é um período de menor quantidade de chuva. Num programa de integração de pecuária e agricultura, o produtor pode retirar milho para silagem, plantar o sorgo para volumoso e depois a aveia no inverno. Um hectare de sorgo forrageiro, bem manejado, produz 125 t de matéria verde em cinco cortes.
A tecnologia ideal de produtividade começa com preparo do solo, plantio na época certa, espaçamento, adubação e outros cuidados; nada diferente do que é indicado para outras culturas. Normalmente usa-se população de 180 mil plantas/ha. O manejo é similar ao do milho.


A altura do corte do milho ainda é um dos itens que não são respeitados pelos produtores



Napier com aditivos O veterinário afirma que é econômico para o produtor fazer a silagem de napier já que o material tem grande potencial de massa verde nesta época do ano. E este é um momento em que a maioria das propriedades não utiliza o napier em cortes porque o pasto está em boas condições. Com isso o material fica no campo e vai envelhecendo. Quando o produtor for fornecê-lo aos animais ele já perdeu parte de seu potencial nutritivo.
Se fizer corte agora e realizar uma aplicação de uréia daqui mais 50 ou 60 dias, se chover bem, o produtor terá no campo, de novo, a mesma massa verde, podendo dobrar ou triplicar a produção da área. O corte do napier para silagem deve ter um padrão de 1,80 metro de altura. Depois de picado é aconselhável que o material receba aditivos, inoculantes próprios para silagem. Hoje existem vários no mercado.
FenaçãoDe acordo com o veterinário José Garcia Pretto, a fenação pode ser feita com qualquer grama. O produtor deve escolher áreas na propriedade onde tenha condições de entrar com equipamento, locais sem muitas pedras ou tocos, limpas, de pastagem, tirar os animais, fazer aplicação de uréia (quantidade a ser orientada por um técnico) e aguardar a forrageira crescer. Depois de 20 a 30 dias já é possível fazer o primeiro corte e enfenar.
A forrageira para fenação pode ser a estrela roxa, a coast-cross ou tifton. Ele indica que agora é um bom momento para fenar estes materiais porque o potencial produtivo das forrageiras é grande nesta época. O produtor pode usar sobra de pasto para fazer o feno.
Pretto explica que a fenação de verão fica mais fácil já que o produtor corta a forrageira de manhã e enfarda o material na tarde do mesmo dia ou na manhã seguinte. A secagem é mais rápida. O caso da aveia como forrageira para a fenação de inverno é mais complicado, porque depois do corte demora de 5 a 7 dias para enfardar e corre-se o risco de perder o material.

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