O campo já não é um local exclusivo dos homens. Hoje é a família rural que impulsiona a agricultura, e as mulheres e crianças são tão importantes para o processo produtivo quanto os próprios agricultores.
Prova disso foi o Encontro de Senhoras Empreendedoras Rurais organizado pelo Conselho Municipal de Desenvolvimento Rural de Cambé, em parceira com a Emater local, que reuniu 270 mulheres no auditório do Parque Figueira Branca na última quarta-feira.
Um dia inteiro de palestras e dinâmicas de grupo com o objetivo único de elevar a auto-estima da mulher, segundo a gerente regional da Emater, Marli Alcântara Parra.
Por ser a primeira edição, o encontro superou as expectativas dos organizadores. ''A idéia surgiu de uma das produtoras rurais da região, que participou do primeiro encontro regional ocorrido em Londrina no ano passado e achou que seria interessante trazer o evento também para Cambé'', contou.
De acordo com Marli, esposas e filhas de agricultores e produtoras participaram das palestras que discutiram entre outros temas, cidadania, previdência e saúde da mulher. ''Queremos mostrar à mulher que ela é capaz de enfrentar situações com as quais não está acostumada; que ela também pode tomar decisões na lavoura e até mesmo conduzir máquinas agrícolas'', explicou.
Marli assinala que antes, a participação feminina na atividade rural era pequena. A mulher acatava as decisões do marido e sua função resumia-se ao cuidado da casa e dos filhos. ''Agora, ela deve saber tanto quanto o marido sobre a propriedade, para poder tomar conta de tudo na sua ausência. Além disso, existem produtoras solteiras que administram sozinhas suas terras'', argumentou.
Para a advogada Marisa Alves Nunes Menolli, a participação feminina não cresce somente no meio rural, mas em todos os setores da sociedade. A mulher não escolhe seus afazeres e administra com a mesma competência a casa, os filhos e a profissão. ''Somos pau para toda obra'', disse.
A advogada é esposa do presidente do Conselho Municipal de Desenvolvimento Rural e do Sindicato Rural Patronal de Cambé, João Antônio Menolli, e acompanha o trabalho do marido há onze anos. ''As mulheres participam cada vez mais do sindicato. Muitas delas cuidam do pagamento dos empregados, fazem banco, enfim, administram as contas enquanto o marido esta na roça'', declarou.
Exemplo Maria Botti, produtora rural há 28 anos, incrementa a renda familiar com pães, bolachas, doces, picles, vinho artesanal e alimentos à base de soja que produz no sítio Três Irmãos, em Bratislava. Além das gostosuras, o sítio cultiva milho, soja, café e trigo. ''Temos também uma granja para ampliar os ganhos da família'', assinalou.
À convite da Emater local, Maria começou a participar de cursos técnicos e gostou tanto do que aprendeu que hoje já possui uma barraca na Feira do Produtor de Cambé, onde vende suas guloseimas todas as quintas-feiras.''Minha vida mudou muito. Hoje dou mais valor a mim e ao meu trabalho e sei que sou capaz de qualquer coisa. Sou mais independente'', afirmou.
Para Maria, ser útil é um modo de estar bem consigo mesma e o trabalho é como uma terapia. ''Passei por um momento muito difícil na vida e encontrei no trabalho uma maneira de manter a mente ocupada e longe da depressão'', lembrou.

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