Capital da uva de mesa diversifica propriedades com morangos

Nos últimos anos, a dificuldade dos produtores de uva de mesa de Marialva fez com que muitos apostassem na diversificação com outras culturas, inclusive com o morango no slab, maracujá e até olerícolas. Uma alternativa encontrada para manter a renda na propriedade enquanto a uva não retoma aos seus "dias de glória".
A ideia não é substituir a uva pelo morango semi-hidropônico, mas sim deixar os parreirais, digamos, em "stand-by", inclusive porque são estruturas caras. A atividade iniciou em Marialva em meados de 2014 e atualmente são 25 produtores, alguns conciliando áreas com uva e outros se dedicando apenas ao morango.
O técnico agrícola da Emater da cidade, Nilson Bernabé, relata que a uva fina necessita de grande mão de obra e um produtor bem tecnificado. "Quando ele parte para o morango, absorve a tecnologia com certa facilidade e, inclusive, precisa de menos trabalhadores para o manejo. Já temos produtores aqui fechando três anos com as mesmas mudas, slabs e substrato, ou seja, trabalhando com a mesma estrutura".
Com o morango, esses produtores têm conseguido uma renda extra mensal para se manter no campo. A uva é uma fruta de época, mas os morangos no slab - com as variedades corretas - é possível manter dez meses de colheita no ano. "Não existe uma concentração de colheita como acontece na uva. Ainda temos muito morango que vem de fora, ou seja, temos espaço para crescer na região. Nós sempre sugerimos que os produtores façam a venda direta, sem intermediários". "A atividade está crescendo ano a ano, de forma ordenada", complementa Bernabé.
Nelson Tamura é um exemplo mais radical e há mais de quatro anos parou de trabalhar com uva de mesa. O motivo é conhecido: falta de mão de obra e preços ruins de comercialização. Para o trabalho com uva, ele precisava de mais de 25 pessoas tecnificadas em sua área. Agora, com os morangos semi-hidropônicos, são quatro pessoas da família para cinco estufas, com 3.800 pés em cada uma delas. "Nossa renda vem agora do morango e da horta. Com a muda chilena consigo uma produção de 700 a 800 gramas anualmente. Estou comercializando diretamente com o consumidor e mercados da região".
Apesar de dizer que ainda sofre um pouco com o manejo da fertirrigação, Tamura está satisfeito, principalmente com os preços de venda. Se antes, a uva não tinha limite para a queda, no morango ele percebe um mercado mais estável. "É de R$ 15 a R$ 20 o quilo. Quando vem muita mercadoria de fora, já cheguei a vender a R$ 12, mas não abaixa mais do que isso. Fiquei 20 anos trabalhando com uva, mas acho difícil retornar para a atividade no futuro. Estou pensando em plantar goiaba na área dos parreirais", complementa.
Atualmente, a área dedicada para a uva na cidade é de aproximadamente 500 hectares. No passado, já chegou a 1.500 hectares, três vezes mais que a atual. (V.L.)





