Para o responsável técnico da área de agronegócios do Sebrae no Paraná, Onildo Benvenho, a agricultura familiar do Brasil ainda é muito voltada para a subsistência. Segundo ele, a Secretaria de Agricultura Familiar divide os agricultores em três grupos: os que estão inseridos em atividades econômicas integradas no mercado, classificados como capitalizados; os descapitalizados ou em transição, mas com algum nível de produção destinada ao mercado; e os residentes no espaço rural, assalariados agrícolas e não-agrícolas com produção agropecuária voltada quase que exclusivamente ao auto-consumo.
  O que se pretende com as parcerias, de acordo com Benvenho, é dar uma visão empresarial ao pequeno agricultor, que poderá agregar valor aos seus produtos, além de mostrar que a propriedade, mais que fonte do seu sustento, pode ser um bom negócio. ‘‘Além de capacitação técnica, precisa haver uma transformação de comportamento’’, salienta.
  Benvenho afirma ainda que é nesse processo de orientação e aprendizado que surgem novos sistemas de produção, como a agricultura orgânica, hoje em ascensão em todo o País. É o caso do produtor José Rodrigues Faria, de Marialva, cuja propriedade está em fase de conversão para produção orgânica há dois anos. ‘‘Só de não mexer com veneno o favorecido sou eu, além disso o sabor do produto é bem melhor’’, acredita.
  Há oito anos, Faria e a esposa produzem uva Bordeaux em apenas um alqueire e há seis meses construiram uma fábrica para industrializar o suco. No início, o casal processava 300 garrafas por ano. Hoje, a produção é de 15 mil garrafas anuais. O mercado está estabelecido, com destaque para a venda em domicílio. ‘‘Aprendi com o Sebrae a fornecer exatamente o que o freguês quer’’, declara.
  Com rendimento mensal de cerca de R$ 2,5 mil, o casal realiza apenas uma colheita anual e a produção do suco só consome 30 dias de trabalho. ‘‘Ver o mercado com clareza muda tudo. Sem treinamento, o produtor não chega a lugar nenhum’’, defende Faria. (M.G.)

mockup