Capacitação em crescimento
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sexta-feira, 28 de março de 2014
Victor Lopes<br>Reportagem Local
A competição econômica no meio rural hoje é tão intensa quanto a da zona urbana. Como uma empresa, o produtor rural precisa crescer e se tornar competitivo, o que envolve diversas demandas da propriedade. Mas possuir apenas capital não é o suficiente no agronegócio: o conhecimento se tornou peça-chave para quem está na lida diária.
Com o encarecimento e a falta de mão de obra, o produtor não pode ficar refém de terceiros no momento de ajustar um trator ou colheitadeira, realizar uma inseminação artificial, lidar com produtos orgânicos ou até mesmo na hora de industrializar a produção. Tudo precisa ser feito por ele, aumentando assim a rentabilidade.
Os números do Paraná provam que o produtor está ciente que a busca de cursos, palestras e congressos técnicos é essencial. Só o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar-PR) na regional de Londrina, que engloba 60 cidades, incluindo o Norte Pioneiro e Norte Novo, realizou 1.220 cursos dos mais variados temas no ano passado, um recorde da entidade.
Entre as cooperativas do Estado, os números são ainda mais impressionantes. Por meio do Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo do Paraná (Sescoop-PR), foram investidos, em 2013, mais de R$ 18 milhões em projetos de qualificação, formação e capacitação profissional, sendo R$ 3,6 milhões direcionados a cooperados e seus familiares. Este ano, a expectativa é atingir R$ 4,2 milhões, um crescimento nos recursos de 16,6%.
No ano passado, o sistema cooperativista paranaense realizou 5.479 projetos de formação, com 151.415 participações, somando mais de 73 mil horas/aula. Isso englobando não apenas produtores, mas funcionários das cooperativas, gestores, diretoria e dirigentes.
O supervisor regional do Senar da Região Norte, Arthur Piazza Berganini, explica que o crescimento na procura pelos cursos é nítido ao longo dos anos. Boa parte dos participantes, inclusive, procura ampliar sua carga horária, se aperfeiçoando em temas variados. "O produtor, independentemente se é de um assentamento ou grande pecuarista, está sensibilizado e entende essa necessidade. Muitos passaram por grandes frustrações e agora querem se profissionalizar", relata ele.
Portanto, é natural que temas voltados à gestão sejam muito procurados, como administração básica e inclusão digital. "Nós queríamos que este tipo de curso fosse ainda mais difundido, porque envolve a organização da propriedade, que é muito importante. Percebemos que o meio rural é muito heterogêneo. Enquanto de um lado há produtores bem tecnificados, do outro ainda temos que fazer um trabalho de base."
Já o analista de desenvolvimento humano da Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar), Leandro Roberto Macioski, explica que o recurso para a capacitação dos cooperados cresce em torno de 15% ao ano. "Trabalhamos com a profissionalização dos cooperados, juntamente com a dos funcionários da cooperativas. Além do produtor, as mulheres e filhos também estão ávidos por formação técnica. Vale dizer ainda que boa parte dos recursos é direcionada para quem trabalha nas cooperativas. A cada ano, temos, em média, 1,2 mil colaboradores realizando MBAs em diversas regiões", complementa Macioski.
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