Além do investimento em maquinário e no aumento da área plantada, a família de Daniel Carrara tem investido na capacitação e reciclagem de todos os integrantes. ''Deixamos o serviço para participarmos de cursos e encontros. Sempre se aprende uma novidade. Assim a atividade já é difícil imagine sem informação?'', observa.
A atividade na propriedade está dividida de acordo com o interesse e a capacidade de cada um. Marcelo é o responsável pela contabilidade, pois sofre de alergia e não pode lidar com a aplicação de defensivos, informa a mãe, Neide Carrara. ''Ele anota tudo e nos dá sempre a previsão dos ganhos'', revela. Já Ivan não esconde a paixão pelo trabalho na terra. ''Tem coisa melhor que um trator, uma colheitadeira e uma máquina de passar veneno? Até a namorada vem depois'', brinca.
Neide Carrara não esconde o temor dos custos do arrendamento. ''Com o preço da soja em baixa, os ganhos serão menores''. Mais otimistas, os filhos aliviam a preocupação, ''deixamos novos investimentos para depois''.
O cuidado do produtor com a administração da propriedade já o colocava em destaque na região. Á área, desde 1998, está sendo acompanhada pelo programa ''Redes de Referência para a Agricultura Familiar'', do Governo do Estado. Segundo o agrônomo Sérgio Carneiro, da Emater-PR, o programa avalia famílias que, a seu modo, conseguem driblar as dificuldades e se mostram eficientes em seus negócios, com qualidade de vida.
As experiências colhidas em propriedades, como a de Daniel Carrara, estão servindo de exemplo a muitas outras propriedades de agricultura familiar do Estado. Os integrantes do projeto, explica Carneiro, são pessoas com capacidade de fazer mudanças incrementais, melhorando o que já existe, e estruturais, apostando em novas fontes de rentabilidade.(C.G.)

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