Foi a capacidade de se reinventar que fez com que os produtores José e Lourdes da Silva Couto tivessem sucesso no campo e estarem, hoje, à frente de uma propriedade de seis alqueires viável economicamente, na cidade de São João do Ivaí (Noroeste). Mas antes de se acertarem no setor avícola, a vida preparou uma surpresa que fez este casal conhecer de perto uma história triste e recorrente para quem sobrevive da terra: o êxodo rural.
Cerca de oito anos após o casamento, em 1995, o casal se viu obrigado a abandonar o campo devido à crise na lavoura de algodão. O trator foi deixado na casa da mãe, as vacas na propriedade do tio, os porcos vendidos e o destino foi a cidade de Londrina. "Foi uma crise danada do algodão, com quebra de safra, pouca rentabilidade. Não tinha o que fazer, estava impossível viver naquela situação, o êxodo na região estava grande. Além disso, precisávamos criar a nossa filha", recorda José.
Na cidade, a adaptação não foi simples, mas graças ao trabalho árduo conquistaram seu espaço. José se tornou porteiro de uma fábrica de massas e Lourdes, diarista. "Foi complicado, mas consegui crescer profissionalmente. Logo me tornei encarregado de logística da empresa e, depois, comecei a faculdade de administração e pós-graduação na área. Nossa vida foi melhorando gradativamente."

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