Canola é boa opção para o inverno
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sexta-feira, 29 de março de 2002
Carolina Avansini Reportagem Local 
Estimulados pelas boas perspectivas de preço, produtores rurais da região de Maringá vão investir na cultura da canola como opção para o inverno. A cooperativa Cocamar está garantindo ao produtor, mediante contrato, o preço de R$ 24 por saca de 60 quilos do produto, valor 26% maior que a cotação praticada em 2001.
Para esta safra, a Cocamar importou 36 mil quilos de sementes do Canadá. Esse volume é suficiente para o plantio de 2,5 mil alqueires, o que indica perspectiva de crescimento sobre a área cultivada em 2001, que foi de 1,6 mil alqueires. Em 2002 a cultura também avança para o Mato Grosso do Sul, principalmente na região de Dourados, onde deve ocupar 250 alqueires.
A cooperativa investe na expansão da canola porque tem interesse em aumentar a produção, que é destinada a esmagamento em indústria própria situada em seu parque industrial em Maringá. Ali é produzido, desde 1992, o óleo de canola Suavit, presente em pontos de vendas de quatro Estados.
Opção compensadoraLademir Aparecido Franchetti é um dos produtores que aposta na cultura. Em duas fazendas nos municípios de Inajá (88 km ao norte de Maringá) e Uniflor (49 km ao norte de Maringá), que somam 1305 alqueires, ele vai plantar 60 alqueires de canola, área um pouco maior que cultivada no ano passado. De acordo com o agricultor, além do preço compensador a cultura é atraente porque oferece pouco risco de perdas com geadas.
Em sua propriedade, o custo de produção fica em 35 sacas por alqueire. A produtividade média é de 75 a 80 sacas por alqueire. O plantio começa em 30 de março e nesta safra, ele também vai plantar 120 alqueires de milho. O milho pode até render mais, mas o risco com geadas é maior, comentou.
Área maiorA Cia. Melhoramentos Norte do Paraná, grande produtora da região de Maringá, acredita nas perspectivas da canola e nesta safra aposta em um expressivo aumento na área plantada. Segundo Nilo Sérgio Richini, gerente da área de produção de grãos, a empresa pretende cultivar de 410 a 490 alqueires a partir do final de abril. Ano passado a cultura ocupou 133 alqueires.
O preço de garantia da Cocamar está interessante, analisou, lembrando que o baixo risco com relação a geadas também estimula o investimento na cultura. Nas fazendas da companhia, o grão vai ocupar as áreas baixas, suscetíveis a geadas, porém mais férteis. A possível ocorrência de seca é o maior risco, disse.
A canola entra no planejamento da empresa como uma das lavouras da rotação de culturas. Na safra de inverno, o trigo vai ocupar 1640 alqueires; a aveia, 1416 alqueires e o milho safrinha, 820 alqueires.
Cultura competitivaO engenheiro agrônomo Antônio Sacoman, coordenador de grãos da Cocamar, defende que a canola está deixando de ser apenas uma opção de inverno para firmar-se como uma cultura competitiva. Ele informou que uma lavoura conduzida com tecnologia média resulta numa produção ao redor de 3,66 mil quilos de canola por alqueire, o correspondente a 61 sacas.
Segundo os cálculos do agrônomo, a R$ 24 a saca o faturamento será de R$ 1.464. Deduzindo as despesas com serviços e insumos, estimados em R$ 871, o lucro por alqueire chegará a R$ 593, contra R$ 550 do trigo e R$ 363 do milho.


