Cancro cítrico tem inimigo natural
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sexta-feira, 11 de julho de 2008
Raquel de Carvalho<br> Reportagem Local 
Doença que tem dizimado plantações de cítricos há algumas décadas, o cancro cítrico ainda desafia a pesquisa e extensão. O ataque da doença causa prejuízos elevadíssimos aos produtores: entre 1997 e 2000, a erradicação de quase 4 milhões de árvores por causa da doença no País custou R$ 300 milhões. O controle requer aplicação de compostos de cobre que contaminam o ambiente, além de exigir medidas drásticas como o corte das árvores num raio de 30 metros do foco da doença.
A atenção à doença é justificada pela grande importância da citricultura para o Brasil: o País é o maior produtor mundial de citros, faturando US$ 1 bilhão por ano com a exportação de suco de laranja.
Um projeto desenvolvido com a coordenação do professor Galdino Andrade, no laboratório de Ecologia Microbiana da Universidade Estadual de Londrina (UEL), pode ser uma importante ferramenta para o citricultor enfrentar o problema. A tecnologia permite o controle do cancro sem o uso de produtos químicos. Uma bactéria aplicada na planta inibe o aparecimento do Xanthomonus axenopodis pv citri (XAC), causadora da doença.
A bactéria, isolada da própria XAC no laboratório da universidade, depois de aplicada nas lesões provocadas pelo cancro, de fato inibiu a doença. A pesquisa está sendo realizada há oito anos e envolve estudiosos da UEL e o especialista em farmacologia da Universidade Estadual de Maringá (UEM), João Carlos Melo.
Para obter os resultados, os pesquisadores simularam na casa de vegetação as condições para o surgimento do cancro. A planta colocada numa câmara úmida é forçada a abrir os estômatos das folhas, que é por onde entram as bactérias. E aplicaram a cepa do XAC numa proporção um milhão de vezes maior do que acontece naturalmente.
Depois de purificada, a bactéria que inibe o cancro foi aplicada nas folhas contaminadas. ''O efeito foi o esperado. Ao compararmos uma planta com a susbstância com outra sem a aplicação, verificamos que a primeira teve 95% de controle'', explica Andrade. Segundo ele, os pesquisadores constataram também que a lesão era controlada por uma substância produzida pela bactéria e não pelo contato com a folha contaminada.
O projeto que visa o desenvolvimento da tecnologia de controle biológico do cancro cítrico corre o risco de ser paralisado. ''Até agora não tivemos nenhum apoio de instituições públicas, como o CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico). Tudo foi feito com os poucos recursos gerados pelo nosso laboratório'', diz o pesquisador. A tecnologia agora esté em processo de patenteamento.
Porém, o projeto não tem mais como caminhar sem investimentos. Segundo Andrade, inicialmente são necessários R$ 250 mil para a produção do extrato. Os recursos serão utilizados para importar equipamentos e adequar os laboratórios da universidade. ''O próximo passo é realizar experimentos no campo e, para isso, é preciso multiplicar por 100 a fabricação do extrato'', explica. Segundo o pesquisador, são necessários incubadores, rotavapores, bombas de vácuo e o aumento da capacidade das instalações elétricas do Laboratório de Ecologia Microbiana


