São Paulo - Sem ter feito novos investimentos nos últimos anos, o setor sucroalcooleiro deve usar quase toda a sua capacidade instalada para o processamento da safra 2013/14 de cana-de-açúcar. De acordo com a Datagro, as indústrias do Centro-Sul do País utilizarão 97,5% da capacidade operacional, estimada em 602 milhões de toneladas. A moagem para a região é projetada em 587 milhões de toneladas, ainda de acordo com a consultoria.
Para atenuar possíveis estrangulamentos na produção e permitir o processamento de toda a matéria-prima, as indústrias estão prolongando a temporada, segundo Fernando Vicente, diretor Industrial da Usina Alta Mogiana, da região de Ribeirão Preto (SP). "Na prática, as usinas estão começando a safra mais cedo, em março, e estendendo-a até meados de novembro, às vezes até dezembro", diz.
O presidente da União dos Produtores de Bioenergia (Udop), Celso Junqueira Franco, diz, no entanto, que o prolongamento do ano-safra pelas usinas pode não ser a solução ideal. "Se as usinas começarem muito cedo ou terminarem muito tarde, há o risco de pegarem um período de muitas chuvas, prejudicando a moagem." Ele comenta que o período ideal do ciclo vai da primeira quinzena de abril até a primeira quinzena de novembro.
Em outros tempos, afirma Franco, prolongar o ano-safra ou trabalhar com quase 100% da capacidade significava ter de fazer novos investimentos. "Só que não temos visto nenhum apetite nesse sentido", diz, referindo-se à crise que se abate sobre o setor desde 2008.
Levantamento do Itaú BBA mostra que apenas 36% das usinas do Centro-Sul estão com pleno acesso a capital. Outras 29% apresentam endividamento adequado, mas 16% precisam passar por algum tipo de recuperação e 18%, por processos de fusão ou aquisição. A União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica) faz uma previsão ainda mais preocupante: 60 unidades da região, quase 20% do total, deverão encerrar as atividades nos próximos dois ou três anos. A entidade tem confirmação de que pelo menos dez deixarão de processar a safra 2013/14 por dificuldades financeiras.
O presidente da Udop crê que o setor será capaz de moer toda a cana produzida em 2013/14, mesmo que próximo do limite operacional, mas cobra uma política energética definida pelo governo para que seja possível investir novamente. "Precisamos recuperar a competitividade do etanol, mas isso não acontecerá enquanto a gasolina estiver com preço controlado." Para Franco, os incentivos ao biocombustível, como o aumento da mistura na gasolina, ainda são insuficientes.

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