O cancro cítrico é uma das doenças mais prejudiciais aos pomares de laranja. Por anos, o Paraná não conseguiu sequer comercializar sua produção devido à alta infestação da doença. Mas em 1979 o Iapar deu início a uma série de pesquisas para encontrar uma solução para este problema. O resultado desses estudos deram origem a variedades resistentes à doença e, por meio do melhoramento genético, os pomares conseguiram imunidade. Em consequência desses trabalhos, o Paraná conseguiu a abertura de mercado.
Rui Pereira Leite, pesquisador da área de proteção de plantas em citricultura no Iapar, afirma que esse trabalho foi pioneiro no Brasil. ''Com variedades mais resistentes e com a aplicação de produtos químicos, garantimos mudas sadias''. Leite completa que depois das pesquisas, o Iapar criou um programa de manejo para o controle do cancro. ''Antes de nossos trabalhos, o Paraná tinha cerca de 4 mil hectares de citricultura, dados do início da década de 1980. Hoje são mais de 35 mil hectares'', salienta.
Os critérios de manejo integrado para citricultura compõe a escolha de área com menor incidência de ventos, fenômeno que ajuda a disseminar o cancro, altas temperaturas e chuvas bem distribuídas. Segundo Leite, a região de Paranavaí possui as condições ideais para a produção de citrus. Tanto é que hoje é considerada o maior polo de produção do Estado. Marco Valério Ribeiro, produtor e consultor em citricultura em Paranavaí, afirma categoricamente que se não fosse o Iapar não haveria pomar no Paraná.
Com um pacote tecnológico formulado pela entidade, o produtor consegue obter um índice de produtividade de 50 toneladas por hectare. ''Só para se ter uma ideia, em algumas regiões do Estado o índice fica em torno de 35 a 40 ton/ha'', sublinha. Para este ano, Ribeiro espera colher em torno de 150 mil caixas de laranja de 40,8 quilos cada. A receita para esse sucesso, confidencia o citricultor, é uma muda de qualidade genética, o plantio em clima propício e a implantação do adensamento dos pomares.
Nas lavouras convencionais, o número de árvores por hectare varia de 800 a 1 mil unidades. Já no sistema adensado, esse número cai para 550. Ribeiro frisa que, além disso, manter o pomar bem nutrido, por meio dos cuidados adequedos do solo, garante todo o funcionamento do sistema. ''Os trabalhos do Iapar começaram em 1998 em nossa região'', salienta Ribeiro. Devido à qualidade dos frutos produzidos pelas variedades do Iapar, 80% de sua produção é voltada para a venda direta ao consumidor, ou seja, fruto de mesa. Segundo ele, esse mercado é altamente exigente. Os outros 20% são direcionados para a indústria. (R.M.)

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