O tomate é o primeiro produto hortigranjeiro na mesa do consumidor. Por mais que se divulgue que ele recebe grande quantidade de agrotóxicos - quando comparado a outros produtos - a população não deixa de consumi-lo, seja na salada, no sanduíche, na pizza, no molho e na polpa do tomate ou mesmo no catchup. Na Central de Abastecimento (Ceasa) de Londrina o tomate é disparado o primeiro colocado em vendas, com um volume comercializado de 2.178 toneladas/mês, contra 1.376 t de batata e 971 t de repolho - os três produtos mais vendidos. Em quatro lugar aparece o pimentão, com 235 t, seguido pela vagem, com 228 t. A alface é a terceira colocada no consumo (por unidade), segundo a Ceasa, mas como é leve seu volume representa apenas 74 toneladas/mês.
É bom, entretanto, o consumidor abrir os olhos porque o tomate também lidera o ranking de aplicação de defensivos entre os produtos da lavoura, inclusive com o uso de alguns produtos não autorizados para o seu cultivo. O alerta foi feito durante o 3º Encontro Estadual de Frutas e Hortaliças, que reuniu cerca de 500 produtores de todo o Paraná durante a Exposição Agropecuária de Londrina, em abril. No evento, coordenado pela Emater, o foco principal não foi a produtividade e a rentabilidade das culturas, mas a advertência aos produtores para que deixem de utilizar produtos agressivos e diminuam as aplicações sobre tomate, morango, maçã e mamão - os campeões em agrotóxicos no Estado.
A engenheira agrônoma Eliana Scucato, da Vigilância Sanitária da Secretaria Estadual de Saúde (Sesa), mostrou dados preocupantes a partir de amostras coletadas em grandes redes de supermercados de Curitiba, que recebem produtos de todo o Estado. Os dados constam em uma análise feita pela Sesa e pelo Laboratório Central de Saúde Pública (Lacen), concluída em fevereiro de 2004, e que integra o Programa de Análise de Resíduos de Agrotóxicos em Alimentos (PARA), da Anvisa - Agência Nacional de Vigilância Sanitária.
O estudo constatou que 98% das amostras de tomate coletadas apresentavam resíduos de defensivos. O mesmo ocorreu com 96% das amostras de maçã, 92% das de morango e 63% das amostras de mamão. Os demais itens pesquisados tiveram menos de 30% de presença de agrotóxicos. As coletas foram feitas entre os meses de setembro de 2002 e dezembro de 2003. No momento, o Lacen está numa segunda fase de análise, com nova coleta de dados, que deverá ser concluída no segundo semestre deste ano.
Além do tomate e o morango apresentarem resíduos em quase todas as amostras, foi constatada a presença de substâncias de uso proibido, como organoclorados - sete substâncias no morango e uma no tomate. E em 55% dos casos os agrotóxicos estavam acima do LMR (limite máximo de resíduos permitido por lei).
Doenças - Segundo Eliana Scucato, no tomate, o princípio ativo proibido encontrado em três amostras foi o monocrotofós, um organoclorado. ''E dos produtos permitidos, dois estavam com níveis muito acima do LMR: ditiocarbamato e metamidofós. Isso é grave, pois traz sérias consequências à saúde e pode causar tanto intoxicação aguda nos aplicadores quanto problemas crônicos nas pessoas'', denuncia a agrônoma da Sesa. Ela afirma que o acúmulo de resíduos de ditiocarbamatos - substância usada no tomate - ''tem sido associado a um bloqueio na tireóide e a anormalidades nos espermatozóides, o que pode gerar esterilidade'', aponta. Outra substância nociva é o clorpirifós. ''Estudos realizados ao longo de cinco anos nos Estados Unidos comprovaram que a exposição dos aplicadores a este produto aumentou em 14% o risco de câncer de próstata nos trabalhadores'', informa Eliana.

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