Campeão é novo na atividade
Pelo lógica, o vencedor de um concurso de café ainda mais sendo de âmbito nacional e competindo com produtores tradicionais de Minas e São Paulo deveria ser um veterano no ramo. Não é o caso de Valtamir Mezzomo. Nascido em Santa Catarina, criado em Clevelândia (43 km a leste de Pato Branco) e residente em Curitiba, Mezzomo só conheceu um pé de café há três anos, quando trocou a sociedade em uma empresa de publicidade pela cafeicultura. Ele acaba de faturar o primeiro lugar na categoria café natural do 3º Concurso Nacional da Abic.
Em parceria com o amigo Henry Camilotti, o ex-publicitário propôs um desafio a si mesmo: cultivar café orgânico de qualidade na propriedade de cinco hectares que pertence à sua sogra, em Salto do Itararé (120 Km ao Sul de Jacarezinho).
Inicialmente chamado de louco pelos vizinhos, que nunca tinham visto uma plantação de café orgânico, Mezzomo persistiu, fez amizades e, pelo sotaque pouco comum no Norte do Estado, o catarinense ganhou o apelido de gaúcho. Agora, com o sucesso da lavoura, já conquistou a admiração e o respeito dos vizinhos.
O desconhecimento da cultura não foi um empecilho. Mezzomo se debruçou em pesquisas e na busca de informações sobre café com qualidade. Aluno obediente, ele seguiu à risca todas as orientações técnicas e freqüentou cursos oferecidos por instituições como o Sebrae e a Emater. O Paraná é muito rico em profissionais e serviços, basta o produtor procurá-los, destaca.
O esforço desenvolveu uma verdadeira paixão pela atividade. Plantando as variedades Mundo Novo, Catuaí e Iapar 59, o campeão do café brasileiro não abre mão de realizar nem mesmo funções rotineiras, como a capina da lavoura.
Sem esconder o orgulho pelo título nacional, Mezzomo credita a premiação à adoção do cultivo de café orgânico. O maior prêmio foi persistir no sistema orgânico. Em 2002, participei de um treinamento com mais 37 produtores sobre esse tipo de cultivo. Só eu continuo na atividade, lamenta. Tudo o que fazemos de bom para a planta, ela retorna em qualidade. Vale a pena investir na ecologia, além de cuidar da a natureza consigo agregar valor ao meu produto, resume.
Num passeio pelo cafezal, Mezzomo vai mostrando algumas das artimanhas que substituem o uso de produtos químicos no solo ou na planta. Como as palntas de cobertura, as armadilhas feitas com garrafas pet que atraem a broca. E ainda, o adubo para as folhas feito à base de leite, esterco de gado, farelo de arroz, húmus, melaço de cana e cinzas.
Estou empenhado em produzir um café de qualidade porque sei que muitos consumidores querem um bom produto. Quanto ao prêmio, essa conquista não poderia ser melhor, pois ganhei na primeira colheita, mesmo concorrendo com cafeicultores que estão na atividade há 40 anos, comemora.
O resultado imediato após faturar o primeiro lugar na categoria café natural, foi o preço que obteve com o produto. O lote de 10 sacas de 60 Kg foi arrematado pelo consórcio Brasil por R$ 1.510,20/sc. O preço médio é de aproximadamente R$ 400/sc. (W.S.)





