Campanhas podem reduzir número de casos
No Brasil, a falta de informação, segundo o professor Sebastião Pinheiro, faz com que as pessoas misturem, por exemplo, roupas utilizadas na aplicação de produtos a outras roupas de uso pessoal, o que não é correto. Ele citou um caso de um bebê com queimaduras pelo corpo. Na investigação do caso descobriu-se que a mãe havia misturado as roupas da criança a roupas que haviam sido usadas na aplicação de agrotóxicos na lavoura.
''Quando acontecem casos assim, as indústrias de agrotóxicos ganham duas vezes porque são as próprias fabricantes dos venenos que também fabricam os antídotos'', observou Pinheiro.
Quando as intoxicações que resultam em mortes são relatados, as indústrias costumam responder que não podem ser responsabilizadas pelo que as pessoas fazem, contou o professor. Segundo ele, o agricultor tem que se organizar para exigir informação e adotar meios de prevenção, exigindo do poder público providências para que isso seja possível.
Suicídio - A médica Giselia, da Secretaria da Saúde, chama a atenção para o elevado número de suicídios no meio rural. Nos casos de intoxicações registrados nos últimos cinco anos, 42% corresponderam a manipulação inadequada. ''Mas 37% dos casos foram tentativas de suicídios por pessoas com idade que variam de 13 a 90 anos''. O que leva uma pessoa de 90 anos a tentar o suicídio pode ser uma depressão aguda provocada às vezes até pela inalação dos produtos, disse a médica.
Levantamento da Secretaria da Saúde informa que cada internação em UTI está custando cerca de US$ 1 mil por dia. ''Se o governo utilizasse metade do dinheiro gasto com internações provocadas por intoxicações em campanhas de esclarecimento, o número de acidentes e contaminações certamente seriam reduzidos'', completou Pinheiro.





