Campanhas da carne suína quebram barreiras
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sábado, 08 de dezembro de 2001
Cláudia Barberato<br>De Londrina 
Criadores de suínos já investem no marketing da carne suína para atrair maior consumo desde 1998. O setor sempre enfrentou preconceitos com relação ao consumo, segundo o coordenador da Campanha de Marketing da Carne Suína, o presidente da Associação Catarinense de Criadores de Suínos, Paulo Tramontini.
Tramontini acredita que as campanhas junto aos consumidores contribuíram nos últimos anos para quebrar a barreira do consumo médio de 9 kg/per capita/ano registrado nos anos 90. No ano passado o consumo per capita ficou em 12,1 kg/habitante/ano e em 2001 deverá fechar nos 12,6 kg.
''Hoje já sentimos que há uma nova visão da carne suína. É fundamental fazer a divulgação permanente e para isso o produtor tem que colaborar. Ainda sentimos dificuldade na motivação de alguns produtores. Se não houver aumento de consumo o produtor será o mais afetado. O crescimento no mercado interno é potencial. Se aumentar 1 kg de consumo/per capita/ano seria preciso por exemplo outro Paraná produzindo.''
Maior consumo in natura
Santa Catarina concentra a maior produção com 8,4 milhões de suínos/ano, dos quais 6,5 milhões são destinados ao abate. A diferença entre produção e abate está na venda de animais vivos para outros Estados. O Rio Grande do Sul é o segundo maior produtor com 3,8 milhões de suínos/ano prontos para abate e o Paraná tem uma produção que varia entre 2,5 a 3 milhões/cabeças/ano.
Juntos os três Estados somam 75% da produção nacional. Desses 75% da produção 70% vão para a produção industrial e o restante (30%) é consumido na forma in natura.
Produtor precisa colaborar
Santa Catarina, Paraná e Rio Grande do Sul montaram um fundo de arrecadação para fazer campanhas de marketing e aumentar a demanda pela carne suína, especialmente na forma in natura, em bandejas e cortes especiais.
O objetivo das campanhas de marketing, segundo Tramontini, é mudar a imagem da carne suína ''alimentada por tabus e preconceitos'' e aumentar o consumo, especialmente na forma in natura. ''Do total abatido no País apenas 30% é consumido na forma in natura.''
Pesquisas junto aos consumidores, de acordo com Tramontini, apontaram que embora as pessoas considerem a carne uma das mais saborosas o consumo fica restrito somente às festas, especialmente Páscoa, Natal e Ano Novo. No restante do ano a maioria consume apenas uma vez por mês e um número ainda mais restrito uma vez por semana.
Consumidor mal informado
A explicação dos consumidores para esse consumo reduzido se refere a idéia de que a carne suína pode causar aumento de colesterol, transmissão de doenças e outros problemas. Outra dificuldade apontada foi a de não encontrar o produto fracionado, conta Tramontini. ''Categorias de profissionais com poder de influenciar os consumidores como médicos e nutricionais desconhecem as novas características da carne suína''.
Em países como Alemanha, Dinamarca, Inglaterra, França, Estados Unidos, Canadá e outros a carne suína é uma das principais fontes de proteína animal. ''Agora que países desenvolvidos compram nossa carne cai por terra que a carne suína faz mal. Se o alemão, o russo e outros comem a carne suína porque o brasileiro não pode consumí-la?,'' pergunta Tramontini.
Primeiro o mercado interno
Mesmo sendo o mercado externo promissor para a atividade, porque remunera melhor o produtor, Tramontini considera que há muito o que fazer no mercado interno. Por isso campanhas com divulgação de qual o melhor preparo e receitas de pratos a base de carne suína sempre são realizadas. Há investimentos também em programas de culinária na televisão. Junto às indústrias está sendo feito um trabalho para ofertar ao consumidor a carne fracionada, em cortes especiais e em menor quantidade para facilitar a aquisição e o preparo.


