Campanha terá vacinadores treinados
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sexta-feira, 29 de setembro de 2000
Elvira Fantin De Curitiba Especial para a Folha Rural 
Pela primeira vez o Paraná deverá ter vacinadores cadastrados e treinados atuando na campanha de vacinação contra a febre aftosa. De 1º a 20 de novembro, quando acontece a segunda etapa da vacinação deste ano, os vacinadores, juntamente com os pecuaristas, terão o compromisso de garantir a imunização de 100% do rebanho paranaense.
A proposta desta metodologia de trabalho será discutida na próxima terça-feira, dia 3, no fórum Paraná Sem Aftosa. O evento será realizado no Centro Integrado de Empresários e Trabalhadores da Indústria (Cietep), em Curitiba. A promoção é da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab) e Federação da Agricultura do Paraná (Faep).
O evento será aberto pelo governador Jaime Lerner, às 9 horas, e terá a participação do secretário nacional de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura, Luiz Carlos de Oliveira, que falará sobre a situação da febre aftosa no Brasil.
Manter sanidade A proposta de instituir, a partir deste ano, a figura do vacinador faz parte de uma estratégia para tornar a vacinação ainda mais eficiente, principalmente naquelas propriedades refratárias à vacinação, mantendo, assim, o status sanitário de área livre de febre aftosa, com vacinação, conquistado em maio último, na Organização Internacional de Epizootias (OIE), em Paris.
Já conquistamos o reconhecimento internacional como território livre de febre aftosa. Agora, precisamos manter esta condição, o que também é difícil, observa o secretário da Agricultura e do Abastecimento, Antonio Poloni. Ele adverte que o trabalho só só surtirá o efeito desejado se houver o envolvimento de toda a sociedade.
Somente com o comprometimento de todos os integrantes da cadeia produtiva, que inclui o pecuarista, o abatedouro, os comerciantes, as revendas de insumos, os técnicos e os consumidores teremos um trabalho eficiente.
Poloni lembra do recente episódio do Rio Grande do Sul, que após ter conquistado a declaração de área livre de febre aftosa sem vacinação, registrou focos da doença. Não queremos que o mesmo aconteça conosco. Por isso, precisamos redobrar os esforços para garantir a imunização do rebanho, destaca.
Temas do fórum O papel do vacinador e sua estratégia de ação será o tema central do Fórum Paraná sem Aftosa, que vai reunir todos os Conselhos de Sanidade Agropecuária (CSAs), totalizando aproximadamente 800 participantes. Os conselhos terão o compromisso de indicar os vacinadores e acompanhar o seu trabalho nos municípios que representam.
Os vacinadores serão cadastrados e treinados pelo serviço oficial de Defesa Sanitária, da Secretaria da Agricultura. Eles serão prestadores de serviços e poderão executar a vacinação em qualquer propriedade rural. Deverão, no entanto, dar atenção especial às comunidades que tenham dificuldade de acesso ao comércio de vacina, por estarem em localidades muito distantes e de difícil acesso; por não disporem de material de vacinação ou por possuírem rebanhos muito pequenos.
Vigilância Além da vacinação, os vacinadores terão o compromisso de fazer a vigilância permanente nos rebanhos, detectando precocemente suspeita de doença e comunicando imediatamente o fato ao serviço de Defesa Sanitária. Será compromisso do vacinador também atualizar a comprovação de vacinação e dados cadastrais do rebanho.
O médico-veterinário, chefe da Defesa Sanitária Animal da Secretaria da Agricultura, Felisberto Baptista, explica que a metodologia atual, através da qual o próprio pecuarista tem o compromisso de vacinar o seu rebanho apresenta algumas falhas. Entre elas estão a falta de segurança em relação à real aplicação da vacina; erros na contagem do rebanho vacinado; erros na declaração de dados cadastrais e desestímulo ou dificuldade do pequeno produtor em adquirir e aplicar a vacina.
Com a estratégia que estamos adotando agora, propomos um pacto de parceria entre as 399 prefeituras do Paraná e os Conselhos de Sanidade Agropecuária para que a vacinação ocorra de fato a partir do cadastramento e treinamento dos vacinadores, explica Baptista.
Vacinar tudo De acordo com o técnico, os pecuaristas poderão e deverão continuar vacinando os seus rebanhos. Eles terão, no entanto, a opção de contratar o vacinador para prestar este serviço. Baptista explica, no entanto, que o vacinador terá papel preponderante na imunização daqueles rebanhos que estão em propriedades de pecuaristas resistentes à vacinação, em comunidades distantes e de difícil acesso, carentes de recursos e informação.
Há casos em que o produtor tem apenas uma cabeça de gado na propriedade, como por exemplo, uma vaca que fornece o leite consumido pela família e, por isso, acha que não precisa vacinar o animal. O problema é que este único animal, que não é imunizado, pode contrair a doença e disseminá-la para as propriedades vizinhas, adverte o técnico. Ele acredita que se o vacinador for até a propriedade, a resistência em vacinar tende a diminuir.


