ArquivoMá-regulagem e velocidade incorreta das máquinas na hora da colheita são os principais responsáveis pelo desperdício

O Ministro da Agricultura, Arlindo Porto, lançou esta semana, em Belo Horizonte (MG), a campanha contra o desperdício na colheita, transporte e armazenagem dos grãos na safra 96/97. Este ano, o Ministério da Agricultura resolveu utilizar 1,2% do valor que pode ser perdido em milho e soja (aproximadamente R$ 1 bilhão), para investir em campanhas junto às secretarias estaduais de Agricultura e empresas de assistência técnica e extensão rural, na tentativa de evitar pelo menos a metade das perdas.
Os oito principais Estados produtores - Minas Gerais, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Paraná, Rio Grande do Sul, São Paulo e Santa Catarina - deverão contribuir com 20% do total da campanha, ou cerca de R$ 300 mil. A idéia, portanto, é investir R$ 1,5 milhão, para evitar a perda de aproximadamente R$ 500 milhões. Arlindo Porto deverá vir a Londrina, este mês, para lançar a campanha no Paraná.
Embora o Secretário da Agricultura do Estado, Hermas Brandão, tenha anunciado, em setembro do ano passado, que o programa ‘‘Paraná Contra o Desperdício’’ deveria atingir a todos os produtores de soja na próxima safra, recentemente a Secretaria Estadual da Agricultura e do Abastecimento (Seab) mudou a estratégia das campanhas que vem realizando nos últimos anos. Agora, o Concurso Estadual de Colheita de Soja, que premia os produtores paranaenses com menores índices de perda, vai acontecer somente a cada dois anos.
EficiênciaOs concursos para reduzir perdas na colheita da soja vêm sendo feitos desde 1978, quando a Embrapa iniciou os trabalhos de pesquisa que apontavam perda de 3,7 sacas/ha no Paraná. Nos últimos anos alguns municípios passaram a trabalhar isoladamente, para reduzir os prejuízos. Os treinamentos dados pela assistência técnica (Emater, principalmente) e o copo medidor desenvolvido pela Embrapa para calcular as perdas após a colheita têm sido as principais ferramentas desta luta.
Os resutados obtidos até agora mostram a eficiência da iniciativa. Um bom exemplo é Cambé (a 13 quilômetros de Londrina), onde o concurso é realizado desde a safra 91/92, servindo de incentivo para que a média de perdas do município passasse de 2,4 sacas/ha para 0,79 saca/ha na safra do ano passado. O último concurso realizado no Estado, no ano passado, premiou o produtor Valdomiro Andrade Camolesi, de Santa Mariana, com o índice de 0,1183 saca/ha, ou 6,6 kg/ha. Atualmente a perda média do Paraná fica em 1,7 sacas/ha.
A Secretaria Municipal da Agricultura e Abastecimento de Londrina está organizando uma campanha local para diminuição das perdas na colheita, que deverá ser anunciada pelo secretário Samir Cury na próxima semana.
EconomiaSó no ano passado, os produtores participantes do concurso estadual deixaram de perder 26,4 mil toneladas de soja, o que representou um ganho adicional de R$ 5,7 milhões para o Estado. A média geral obtida pelos 2,95 mil operadores de colheitadeiras que participaram do concurso foi de 0,78 saca por hectare.
Além da soja, o milho também apresenta alto índice de perda na colheita mecânica (de 8 a 10%). Trata-se do produto agrícola mais mal armazenado no País, e as perdas só não são maiores pelo fato da maior parte do milho nacional (54,3%) ser colhido manualmente, em pequenas propriedades. A colheita manual reduz os riscos de perdas para 1,5%. Em compensação, um grande desperdício está embutido na baixa produtividade do grão obtido nestas pequenas propriedades.
Por ser mais resistente, o milho pode aguentar mais tempo na lavoura à espera da colheita. Por isso, ele acaba sendo relegado a segundo plano por lavradores que cultivam também outros produtos, como por exemplo a soja. Isto predispõe o grão a maiores perdas na colheita mecânica e manual, além de danos adicionais causados por água de chuva, ataque de pássaros e insetos.
Medidas básicas, nem sempre tratadas com a devida atenção pelos produtores, poderiam reduzir para até 4% as perdas na colheita mecanizada do milho. Entre estas medidas, estão o espaçamento correto de plantio, boa regulagem das máquinas (velocidade de deslocamento e funcionamento corretos), combate a plantas daninhas, plantio de cultivares de porte baixo e resistentes ao acamamento e observação do teor de umidade mais adequado à colheita mecânica (16%).

mockup