Marcos BorgesSamir Cury: ‘‘O selo será um reconhecimento do trabalho do produtor’’Além de retomar a condição de grande produtor de café, o Paraná quer melhorar a qualidade do produto colhido. O deságio na hora da venda já se tornou tradição para o grão obtido aqui, e muitos produtores vêm tendo prejuízos ao longo dos anos. A partir desta safra, campanhas serão lançadas para esclarecer que o Estado tem condições de produzir boa bebida e para conscientizar os cafeicultores sobre a importância de se tomar cuidados mínimos nas etapas da colheita e secagem.
Em Londrina, um movimento neste sentido foi lançado no último dia 15 pela Secretaria Municipal da Agricultura e do Abastecimento (SMMA). Trata-se da campanha ‘‘Qualidade Londrina’’, que quer desmitificar as características do café da região. A campanha faz parte do Programa Café da Secretaria da Agricultura do município, concebido para estimular o plantio adensado. Através do Programa, os produtores recebem mudas a preço de custo, podem fazer a mecanização da terra com custos subsidiados e receber assistência técnica gratuita.
‘‘Hoje o parque cafeeiro do Paraná é apenas 10% daquele existente antes da geada de 75. Portanto, neste pouco que ficou, nós temos que melhorar o máximo possível em termos de qualidade’’, afirma o Secretário da Agricultura do município, Samir Cury. Um dos incentivos criados pela campanha é o selo ‘‘Qualidade Londrina’’, que estará presente nos grãos que atingirem bons níveis de qualidade. ‘‘O selo será um reconhecimento do trabalho do cafeicultor, mas o grande estímulo à qualidade mesmo será o melhor preço conseguido pelo produto’’, define Cury.
AmostrasSegundo o secretário, técnicos do Departamento Nacional do Café (Denac), Emater e SMMA recolherão amostras dos cafés colhidos em 10% das lavouras de Londrina. Com estas amostras serão estabelecidos os parâmetros de qualidade. ‘‘A amostragem já está sendo feita nesta safra, e a idéia é mostrar quanto pode crescer o ganho do produtor com o aumento gradativo da qualidade’’, diz Samir Cury.
Ele explica que o trabalho educativo junto aos produtores será feito através de cursos de treinamento dados por técnicos do Denac, que ensinam como o café é classificado e estimulam os produtores a procurarem obter um produto cada vez melhor.
A parte prática ficará por conta de técnicos da SMMA e Emater. Um dos recursos utilizados será a Via Rural, localizada dentro do Parque Ney Braga. Para isso, paralelamente à campanha ‘‘Qualidade Londrina’’, foi instalado o Plantão Quinta-feira do Café, projeto que reunirá todas as quintas-feiras, na ‘‘Fazendinha’’, produtores de Londrina e região interessados em obter mais informações sobre café adensado.
‘‘Trata-se de uma forma nova de atender a demanda por informações por parte dos agricultores’’, explica Ademir Antônio Rodrigues, chefe regional da Emater/Londrina. Ele lembra que na Via Rural foram plantadas todas as variedades de café indicadas para o sistema adensado na região, com os espaçamentos mais adequados. Assim o cafeicultor poderá ver na prática o que pretende para sua propriedade.
ExemploO município de Grandes Rios, localizado no Vale do Ivaí (Centro-norte do Estado), é uma prova de que se pode produzir café com qualidade no Paraná. De acordo com o engenheiro agrônomo Nelson Menoli Sobrinho, responsável pelo escritório da Emater, nos últimos 15 anos aproximadamente 65% do café ali produzido têm como característica a bebida dura, considerada de bom padrão, servindo à exportação.
A área plantada com café em Grandes Rios estabilizou-se em 4 mil hectares, com uma produtividade média que deve ficar em 22,6 sacas beneficiadas por hectare, nesta safra (alguns cafezais, porém, chegam a render 110 sacas beneficiadas por hectare, no terceiro ano de produção). A meta a ser atingida no município agora é a melhoria da qualidade. ‘‘Mesmo considerando a atual escassez de café, o consumidor tem exigido cada vez mais qualidade, inclusive para o mercado interno. Isso cria a necessidade de adequação da classe produtora à nova realidade’’, observa Menoli.

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