Albari RosaFuncionários percorrem de barco o rio na região metroplitana de CuritibaTrata-se de uma situação incomum em se tratando de assuntos fluviais, já que o normal é o rio nascer limpo e depois ir acumulando detritos por onde passa. Ocorre que a cabeceira do Iguaçu é na área metropolitana de Curitiba, entre Pinhais, São José dos Pinhais e Curitiba, onde o crescimento desordenado, as ocupações clandestinas, o assoreamento e a falta de conscientização da população ‘‘sufocam’’ o rio quando ele nasce. E a grande reclamação dos municípios vizinhos é que eles pagam a conta da sujeira do rio.
Para melhorar essa situação, foi iniciado, há 30 dias aproximadamente, um trabalho de limpeza do Iguaçu, de onde já foram retiradas 60 toneladas de lixo. Em três dias de trabalho 12 caminhões de lixo retiraram 15 toneladas de detritos. ‘‘Tudo o que se pode imaginar está sendo retirado do rio’’, afirmou Elvis Gilioli, superintendente da Secretaria do Meio Ambiente, que está coordenando esse trabalho.
ConscientizaçãoGilioli tem esperança de ver a cabeceira do Iguaçu novamente limpa, mas admite que para isso, além da ação de limpeza dos detritos, é preciso um trabalho de conscientização muito amplo da população e isso leva tempo, admite. Segundo Gilioli as pessoas não se dão conta do mal que provocam no Rio Iguaçu. Até mesmo os habitantes da cidade de Curitiba, quando jogam lixo nas ruas da cidade, não pensam que esse detrito vai para os bueiros, cuja tubulação desemboca em algum rio afluente do Iguaçu. O resultado é o acúmulo de sujeira na cabeceira do rio, apontou.
Mas o pior são os detritos jogados no rio. Gilioli conta que foram retirados objetos como colchões, sofás, fogões, geladeiras, latarias e pneus de carros. A remoção do lixo está sendo feita por uma equipe de 70 homens e 14 barcos. Segundo Gilioli não estão ocorrendo grandes investimentos em recursos, porque as prefeituras colaboram com a disponibilidade de barcos e pessoal. Além da falta de conscientização da população, as empresas jogam seus detritos no rio e quando ele avança para a área rural no município de Araucária, recebe os restos de agrotóxicos que sobraram da lavagem de embalagens e das máquinas que pulverizam as lavouras, explicou o técnico.
Esse trabalho de limpeza do rio foi denominado ‘‘Ação, Vida ao Iguaçu’’. O objetivo é garantir a limpeza do rio e preservar a maior bacia hidrográfica do Estado, que é responsável por 70% do abastecimento de água de Curitiba. As estações de tratamento de água se encarregam de reduzir as impurezas, lembrou o técnico.
EcoturismoO trabalho de limpeza será feito nos 1.200 quilômetros de extensão do rio. A Secretaria do Meio Ambiente tem planos de desenvolver o ecoturismo no rio Iguaçu, a partir do município de União da Vitória. Na região de Curitiba a remoção do lixo está sendo feita em parceria com as prefeituras, voluntários, estudantes e escoteiros, que se empenham em conscientizar a população e preservar o rio.
A próxima etapa do processo de limpeza do Iguaçu é a recuperação da mata ciliar, que filtra os detritos jogados em direção ao rio. Segundo Gilioli a parte árdua do trabalho será feita até Porto Amazonas, já que a partir desse município a oxigenação da água é maior. As corredeiras naturais se encarregam desse trabalho, explica. Naquela região existem até clubes de pesca, e o rio é povoado por espécies como pintado, jundiá, traíra, lambari e bagre.
Depois de União da Vitória o povoamento de peixes é maior. Quando o rio chega em Foz do Iguaçu, é objeto de torneios de pesca ao dourado. A população dessa espécie está diminuindo ano-a-ano, por causa da poluição, mas os peixes ainda resistem, observou Gilioli.
ConsórcioAlém das prefeituras, a Secretaria do Meio Ambiente recebe o apoio de uma ONG (Organização Não-Governamental) o Naipi - Núcleo de Apoio Integrado Pró-Iguaçu. O presidente Rosnel Bond diz que a organização pretende colher um milhão de assinaturas para salvar o Rio Iguaçu. ‘‘Cada assinatura representa o avanço da conscientização das pessoas’’, ressalta. Mas a meta do grupo é organizar um consórcio para recuperação do Iguaçu, a exemplo do que está sendo feito com o Rio Tibagi.
Bond defende a limpeza do rio e de seus afluentes, para evitar o retorno dos mesmos problemas. Ele acha que o trabalho de remoção do lixo é necessário, mas é simbólico. O que precisa é reforçar a edução nas escolas, principalmente junto às crianças, já que os adultos são os piores agentes da sujeira do rio. Eles jogam o lixo com naturalidade no rio, acrescenta. Bond culpa também as ligações de esgoto clandestinas na área de cabeceira do rio que chega até ele. O ambientalista defende uma ação enérgica por parte dos prefeitos. Também apontou a necessidade de desassorear o Iguaçu, porque as enchentes são favorecidas pela elevação da caixa do rio. Isso porque as famosas ‘‘ cavas’’ do Iguaçu são exploradas de forma clandestina e resultam na derrubada da mata ciliar. Com as chuvas a areia é deslocada para dentro do rio.
Jogos da NaturezaDe União da Vitória até Foz, o projeto para o Iguaçu é outro. A intenção é aproveitar o potencial do rio para o ecoturismo. Segundo o superintendente da Secretaria do Meio Ambiente na Região Sudoeste, Dorvalino Basso, a beleza do rio naquela região ‘‘é imensa, com locais espetaculares é deve ser explorada até para melhorar substancialmente a economia da região’’.
Um dos objetivos da Secretaria do Meio Ambiente é incluir o Iguaçu no trecho União da Vitória-Foz, para a realização de algumas modalidades dos Jogos da Natureza, que serão realizados em setembro deste ano. Basso acredita que podem ser feitos torneios de pesca e canoagem.
A concretização dos projetos de ecoturismo está dependendo de negociações com a Copel e com a Eletrosul, que possuem usinas hidrelétricas naquela região e precisam regularizar a permissão para o Estado explorar a área para o turismo. Depois disso, a Sema pretende incentivar os investimentos, da iniciativa privada, para exploração do ecoturismo através da construção de hotéis-fazenda, clubes de pesca, casas de veraneios, condomínios, restaurantes e outros atrativos. Basso recomenda aos empresários interessados que procurem uma comissão formada pela Secretaria do Meio Ambiente e Associação dos Municípios do Sudoeste do Paraná. Estas organizarão a instalação da estrutura para atender o turismo.

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