Campanha de qualidade já começou
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 30 de abril de 1999
Cristina Côrtes 
Lançada na Exposição 99, a Campanha Café Qualidade Paraná, está começando junto com o período de colheita nas principais regiões produtoras do Estado. Produtores estão recebendo informações básicas que ensinam práticas simples, que não elevam os custos e melhoram o rendimento na colheita.
O pesquisador do Instituto Agronômico do Paraná, Armando Androciolli Filho, tem participado dessas reuniões e destaca que a campanha para melhorar a qualidade está apenas começando, e não tem data para terminar.É um trabalho lento, que implica na mudança do comportamento dos cafeicultores.
A melhoria da qualidade é mais uma etapa do Modelo Tecnológico de Café Adensado, lançado em 90. Androciolli lembra que a implantação de novo modelo começou com a busca de aumento de produtividade, depois com a redução de custos, metas que já foram alcançadas. Agora, precisamos trabalhar a questão qualidade e comercialização, porque o mercado não aceita mais produtos inferiores, comenta.
RemuneraçãoColher grãos com qualidade é uma exigência do mercado e está intimamente relacionada a melhor remuneração e permanência do produtor na atividade. É inaceitável jogar o café no chão na hora da colheita, diz o cafeicultor Wilson Baggio. O produtor que ainda pensa que colher com qualidade e sem qualidade dá no mesmo, está completamente enganado. Para exemplificar, Baggio informa que na cotação da última semana um café do mesmo tipo 6, com bebida dura, tinha um preço de R$150,00 e outro, bebida rio, não consegue mais do que R$115,00. Isto representa um ganho de aproximadamente 30% para quem produz com qualidade.
Segundo o pesquisador Androciolli, a campanha vai trabalhar, junto com a qualidade, a questão da comercialização. Queremos que o produtor conheça seu café antes de comercializá-lo, deixando de vender só pela renda, argumenta. Para isso o convênio com o Centro do Comércio de Café do Norte do Paraná, Central de Classificação (Claspar) e Departamento Nacional do Café possibilitará que o produtor analise amostras dos grãos que produzir. O resultado irá estabelecer os padrões de café Qualidade Paraná nas diversas regiões cafeeiras.
Androciolli destaca que hoje o café de boa qualidade vende na hora, e o ruim, além de pegar preço menor, nem sempre consegue conprador na hora que precisa. Segundo o pesquisador, grandes e bons produtores do Paraná comercializam seus produtos como se fossem de outras regiões. Tem muito café paranaense saindo do País como café mineiro, por causa do preconceito que existe contra a qualidade do grão do Paraná. É preciso mudar esta visão, diz.
Técnicas simplesAs recomendações para melhorar a qualidade são básicas: colher no pano e utilizar um pano mais comprido, para melhor aproveitamento e mudar a forma de colocar e mexer o grão no terreiro. Somente estas duas práticas, que oneram os custos de produção, podem melhorar o rendimento do produtor, garante o pesquisador. E essas práticas estão sendo demonstradas em vários dias-de-campos promovidos nas regiões.
Futuramente, a campanha pretende avançar na difusão de outras tecnologias, mas que exigem investimentos, como a compra de máquinas, entre outras coisas.
No Paraná 64% da propriedades ainda fazem derriça no chão e 86% comercialização seu café em coco, duas práticas que precisam mudar urgentemente.
As reuniões técnicas sobre qualidade já foram feitas nos municípios de Centenário do Sul, Jesuítas, Diamante do Norte, Altônia e Ribeirão do Pinhal. Nesta próxima semana serão feitas no dia 4 em Engenheiro Beltrão, dia 5 em Cianorte, dia 7 em Apucarana e dia 11 em Ibaiti. Os técnicos concentraram os encontros neste período, para aproveitar a época de colheita e motivar o produtor para as mudanças.
Os pesquisadores estão trabalhando também para o refinamento de algumas técnicas, ainda visando o aumento do volume de café com qualidade produzido no Estado. Depois de alcançar esta meta, o objetivo é a elaboração de um selo, que classifique o produto diferenciado.


