Caminhos para o desenvolvimento
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sexta-feira, 16 de maio de 2008
Reportagem Local 
O caminho para o desenvolvimento da agricultura familiar deve ser baseado na informação e na diversificação das atividades realizadas na propriedade. O alerta é do professor de Sociologia Econômica da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo (USP), Ricardo Abramovay. Ele apresentou a palestra ''Agricultura Família ou Microempresa Rural?'', dentro da programação do 4º Congresso Brasileiro de Assistência Técnica e Extensão Rural (ConbATER), realizado em Londrina, entre 13 e 15 de maio, na Sociedade Rural do Paraná.
Abramovay afirma que a agricultura familiar só sobreviverá se partir para a diversificação da atividade. ''O agricultor familiar trabalha em unidade produtivas pequenas que não permitem a produção de commodities em escala. Então para obter renda que garanta a sobrevivência ele precisa ter várias opções de produção'', argumenta.
Para o professor, essa diversificação também precisa ser baseada na adoção de tecnologias que modernize o processo de produção para assegurar a continuidade do trabalho realizado pelo núcleo familiar. Ele observa que a população brasileira está sofrendo um envelhecimento, e esse processo no meio rural acaba esvaziando a unidade produtiva. ''As moças que vivem no campo já não querem mais levar a vida que suas mães e avós levavam, de sol a sol, buscando trabalho na cidade. Por outro lado, os rapazes que ficam no campo, só o fazem se estiverem amparados por uma agricultura tecnificada e mecanizada'', observa.
É neste cenário que o profissional de assistência técnica deve atuar como agente transformador, levando ao agricultor familiar as informações e técnicas que assegure a sobrevivência de sua atividade. No entanto, Abramovay afirma que o extensionista deve partir para uma atuação mais regionalizada, adotando modelos de assistência técnica específicos para o público que atende. ''Ele (o técnico) precisa ter uma maior compreensão da dinâmica sócio-econômica e ambiental da região em que atuam para que se promova o desenvolvimento rural'', comenta.
Outro importante papel do profissional de extensão rural, segundo Abramovay, é levar ao agricultor familiar informações sobre as exigências do mercado quanto ao modo de produção, se as suas práticas atendem aos requisitos da sustentabilidade. ''A agricultura familiar é parte do agronegócio também, e tem suas responsabilidades da mesma forma que um grande produtor'', comenta.
Ricardo Abramovay observa que no caso das exigências das boas práticas ambientais no meio rural, cada vez presentes nas relações comerciais, precisam se colocadas ao agricultor de maneira menos romantizada. ''A conceituação de agroecologia padece do seguinte vício: ela é repassada muitas vezes ao agricultor como um ideal. Mas ela só será viável e adotada se o agricultor for convencido que será para ele sob o ponto de vista de mercado'', diz.


