A história recente das cooperativas ligadas ao agronegócio paranaense apresenta dois caminhos eficientes e de sucesso. O primeiro deles foi expandir as fronteiras de trabalho para os estados vizinhos, captando novos cooperados e abrindo unidades de recebimento. O segundo, sem dúvida alguma, foi a aposta na agroindustrialização, gerando valor agregado aos produtos primários e, principalmente, colocando os produtores num outro patamar de rentabilidade, sem esquecer uma melhor qualidade de vida.

Os números falam por si só. Dos R$ 2,16 bilhões que as cooperativas do Estado estão investindo ao longo deste ano, 43%, ou seja, R$ 928,8 milhões, é destinado às agroindústrias, principalmente para os setores de aves, suínos, rações, lácteos, além dos grãos. E vale dizer: dos R$ 50 bilhões de faturamento das cooperativas deste segmento, R$ 24 bilhões vêm desta importante verticalização da cadeia. Os números foram levantados pela Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar).

O assessor da gerência técnica e econômica da Ocepar, Gilson Martins, não tem dúvidas de que esta aposta faz parte da "maturidade econômica do agronegócio paranaense". Crescimento que, segundo ele, precisa ser trilhado obrigatoriamente para colocar as cooperativas em novo patamar nos próximos anos. "Em 2016 houve retração de 8% nos investimentos porque as cooperativas aproveitaram muito bem o período de bonança econômica dos últimos anos e agora foi fechado um ciclo de investimentos, com diversas plantas entrando em funcionamento", salienta.

Na lista do poderio da agroindústria estadual, o leque de investimentos é o mais amplo possível, com moageiras de soja, moinhos de trigo, fábricas de ração, plantas de aves, suínos, peixes, além de laticínios. Gilson cita alguns exemplos que, de fato, têm colocado o Estado como uma pujança nessa área. "Frísia, Castrolanda e Capal apostaram recentemente num moinho de trigo super moderno, além da unidade industrial de carne suína. Já em Entre Rios, a Agrária investiu na ampliação de um planta de fabricação de malte. Em Cascavel, um pool de cooperativas aposta num terminal graneleiro. São muitos exemplos por todas as regiões do Estado".

Quando o planejamento segue nessa linha agroindustrial, o assessor econômico não tem dúvidas de que ocorre uma agregação de valor que eleva as opções de renda do produtor. "Vou dar o exemplo do setor aviário. Se os frigoríficos não fossem tão fortes, não haveria tantos avicultores apostando na atividade e com rendas tão interessantes. E o que seria dos produtores de leite se as cooperativas não tivessem apostado nos laticínios? Muitos conseguem um retorno bem melhor do que se os investimentos não tivessem ocorrido. Uma renda que, sem dúvida, se sobrepõe numa possível mudança para a cidade".

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