Câmbio põe em risco produção de leite
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sexta-feira, 22 de julho de 2005
Mariana Guerin<br>Reportagem Local 
A pecuária de leite têm enfrentado queda nos preços pagos ao produtor justamente em período de entressafra quando os valores historicamente sobem. Nesta entressafra, os preços já caíram entre R$ 0,04 e R$ 0,10 por litro, dependendo da região, na comparação com os valores praticados até maio. No Paraná, por exemplo, o litro do leite padrão ficou cotado a R$ 0,4566. ''Leve queda em relação à projeção que era de R$ 0,4794/litro'', aponta Maria Silvia Digiovani, engenheira agrônomoa do departamento técnico e econômico da Federação da Agricultura do Paraná (Faep).
A reunião do Conselho Paritário de Produtores e Indústrias de Leite do Estado do Paraná (Conseleite), realizada na última terça-feira, apontou preços mais baixos também para os leites acima e abaixo do padrão, que foram cotados a R$ 0,5251/litro e R$ 0,4151/litro, respectivamente. De acordo com Maria Silvia, o Conseleite havia sugerido valores maiores - R$ 0,5517/litro e R$ 0,4361/litro - na reunião realizada em meados de junho.
A tendência negativa se deve às altas taxas de juros e câmbio desfavorável que retraem o consumo interno e interferem na balança comercial. O dólar subvalorizado não apenas desestimula as exportações como também estimula as importações de lácteos. O resultado final é uma oferta maior do produto no mercado interno, reduzindo os preços pagos ao produtor, explica Rodrigo Alvim, presidente da Comissão Nacional de Pecuária de Leite da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).
Em um primeiro momento, alerta Alvim, os consumidores são beneficiados, encontrando produtos lácteos a preços mais baixos nos supermercados. Já a médio prazo, se mantida a atual tendência, os pecuaristas tendem a reduzir a produção. ''Na atual situação, a orientação é reduzir a oferta de leite, de forma a dar sustentação aos preços'', declara.
Para Rodrigo Alvim há como diminuir a produção de leite, modificando a alimentação do gado sem comprometer a qualidade do rebanho. Na prática, os animais são mantidos e preparados para ampliar a produção em momento de recuperação de mercado.
Para amenizar os efeitos negativos da atual taxa de câmbio, o setor acredita ser necessário apoio mais efetivo na comercialização, como a aplicação de mais recursos em operações de Empréstimos do Governo Federal (EGF) para lácteos e aumento do preço mínimo, estagnado em R$ 0,38 por litro, desde 2003.


