Nenhuma perspectiva positiva. Este é o cenário que a agricultura paranaense vai enfrentar este ano. O câmbio é o grande vilão, já que com muito custo os produtores estão conseguindo manter a produtividade mesmo sem grandes investimentos em tecnologia.
O preço das commodities em geral está estabilizado, mas longe do valor mínimo estabelecido pelo governo e mais distante ainda de cobrir os custos de produção. Segundo levantamento do Departamento de Economia Rural (Deral) da Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep), o trigo ainda é o produto mais prejudicado. ''A diferença entre o custo de produção e o que os triticultores estão recebendo por saca supera doze reais'', afirma o economista da Faep, Jefrey Kleine Albers.
A queda no preço do trigo, recorda o economista, está diretamente ligada ao aumento da importação do produto argentino, que chega mais barato aos moinhos brasileiros, devido aos subsídios governamentais e menor custo de produção. ''Foi registrada ainda redução de área, já que muitos triticultores, insatisfeitos com a baixa remuneração, preferiram buscar alternativas ou simplesmente abandonar a cultura'', diz.
Segundo Albers, o mesmo se repete para soja e milho. A diferença entre os custos e a renda da lavoura no caso da soja é de cerca de cinco reais. ''De acordo com o departamento de agricultura dos Estados Unidos, a soja baterá novos recordes de produção este ano, inclusive com a estimativa da produção brasileira superar a norte-americana'', aponta o economista. Para ele, apesar da commodity já estar inserida no mercado internacional, os preços em real ainda estão abaixo do valor mínimo, sem perspectivas de recuperação.
Para o milho, a diferença entre o que o produtor gasta e o que recebe pela saca produzida é menor, apenas dois reais, mas ainda assim compromete a rentabilidade. ''Antes nosso trabalho era garantir renda ao produtor. Hoje, lutamos para que ele apenas não tenha prejuízo'', afirma Albers.
Ele não vê recuperação dos preços a médio prazo. Isso porque os valores estão estabilizados no mercado internacional. A recuperação do dólar frente ao real seria uma saída, mas o economista não acredita que o câmbio voltará a atingir altos patamares tão logo. ''Se tivéssemos um dólar entre R$ 2,60 e R$ 2,80 seria uma maravilha para a agricultura, mas isso está muito longe de acontecer'', acredita.

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