Os piscicultores Ricardo Abe e Celso Osanai, de Assaí (36 km a leste de Londrina), estão na segunda safra do camarão de água doce, conhecido também como Gigante da Malásia ou Pitu Havaiano, cultivado em tanques de piscicultura, em consórcio com a tilápia.
Dos 27 tanques da propriedade três receberam as pós-larvas de camarão, o equivalente ao alevino de peixe. A atividade principal de Abe e Osanai, no entanto, não é o cultivo de camarão, mas a piscicultura. Nos tanques, que somam quase 40 mil metros quadrados, são cultivados a tilápia, o pacu, a carpa, e o piauçu. Os peixes são vendidos aos pesque-pague da região.
O cultivo do camarão com a tilápia é feito somente no verão. A produção é vendida na propriedade a R$ 10 o kg. O consórcio surgiu como alternativa de renda extra da propriedade, prosposta por técnicos da Emater.
A atividade começou no ano passado e os resultados agradaram tanto que os produtores resolveram repetir a experiência este ano. ''Com o camarão conseguimos cobrir os custos com a ração que é fornecida aos peixes,'' revela Celso Osanai, '' e ainda ofertamos um produto muito procurado no mercado.''
Na primeira safra, segundo Osanai, o camarão rendeu 460 kg por hectare, em 170 dias de cultivo, com um custo de produção de R$ 2,80 o quilo. A diferença entre custo e preço de venda, deu para abater o dinheiro gasto com a ração dos peixes.
Esta semana os produtores fizeram parte da colheita do camarão, a despesca, em um dos tanques. A colheita total deverá ser concluída na primeira quinzena de março.
O camarão colhido é vendido na propriedade mesmo, por meio de encomendas. Em pouco mais de 130 dias de cultivo o peso médio chegou a 25 gramas, considerado um bom rendimento pelo técnico da Emater, Luiz Barreto, responsável pelo projeto do consórcio tilápia x camarão.
Os números finais desta safra, segundo Luiz Barreto, só deverão ficar prontos no final de março. Mesmo assim ele considera que os produtores têm ficado satisfeitos com o cultivo em consórcio. Há planos, de acordo com Osanai, de aumentar o cultivo e poder ofertar o produto para bares e restaurantes da região.
Como fazer - O técnico da Emater, Luiz Barreto, que orienta os produtores, ensina que o peixe indicado para consórcio com o camarão é a tilápia. Ela deve ser colocada nos tanques na idade chamada de juvenil, fase em que o peixe pesa em média 20 gramas. No estágio de alevinos as tilápias se tornam predadoras do camarão.
''A tilápia é um dos peixes mais indicados para o consórcio porque tem um ciclo mais curto do que outras espécies e dependendo da programação pode-se colher os dois juntos, camarão e tilápia, '' avisa Barreto.
Neste manejo a criação do camarão não tem custos para o produtor, que deverá fornecer apenas a ração aos peixes. O camarão se alimenta das sobras e resíduos que sobram no tanque.
Para fazer o consórcio, no entanto, é preciso preparar os tanques, o que engloba correção do solo e da água, adubação da água e o povoamento com pós-larvas de 5 a 7 dias de vida.
Nos cultivos tradicionais que existem no Nordeste, segundo Barreto, a produtividade do cultivo do camarão pode ficar entre 1.000 a 1.500 kg/ha. No caso da região norte do Paraná, segundo o técnico da Emater, não se deve esperar por uma produtividade semelhante.
É preciso considerar as peculiaridades do clima, com águas mais frias, a própria localização geográfica, entre outros que influenciam na taxa de crescimento, Barreto. Ele avisa que o cultivo de camarão deve representar uma renda extra e o produtor não deve pensar em adotar a atividade isoladamente.
No Norte do Paraná o camarão deve ser criado em uma safra anual, no verão. O povoamento dos tanques ocorre em meados de outubro e a engorda pode se estender até maio, com riscos de grande índice de mortandade, quando a temperatura da água começa a diminuir.
A criação principal, previne Barreto, deve ser o peixe e o camarão entra como ''fauna acompanhante, visando o aproveitamento integral do ambiente, já que usa o fundo do tanque para se alimentar dos restos de ração e matéria em decomposição disponível no substrato.''
No ano passado, a primeira safra de Osanai e Abe pagou os custos com ração da piscicultura, reduzindo custos de produção. De olho neste rendimento mais três produtores da região de Assaí estão fazendo o policultivo (tilápia x camarão), além de produtores de Cornélio Procópio, Itambaracá.

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