Os ganhos com a criação de tilápia, alternativa para produtores paranaenses, pode ter o incremento da produção de camarão da malásia (Macrobrachium rosenbergii), que aproveita o espaço dos tanques e a ração utilizada para os peixes. No policultivo, as pós-larvas do camarão se alimentam dos farelos da ração desprezados pelas tilápias.
O produtor Hélio Salomão há pelo menos cinco anos tira uma boa produção dos 12 tanques com 2 mil metros quadrados cada da propriedade situada em Bela Vista do Paraíso (40 km ao norte de Londrina). Salomão é o único que insiste no policutivo na região, mas hoje é uma referência no Estado, tanto que deve inspirar outros produtores na próxima safra (ver matéria nesta página). ''Gasto apenas com a compra da pós-larva, que é colocada nos tanques antes dos peixes''. diz Salomão. O retorno é garantido, segundo o produtor. ''O camarão da malásia tem um sabor mais suave que o do mar, não tem cheiro e geralmente não causa alergias'', explica.
Na última safra, Salomão colocou 2 mil juvenis de tilápia e 10 mil pós-larvas. Agora, depois de 6 meses, a expectativa é a despesca total de 7 toneladas de peixe, com média de 650 gramas cada e 750 quilos de camarão, que têm como destino os consumidores da região, que pagam R$ 12,00 o quilo.
O sucesso do produtor é resultado das orientações da Emater, que segue à risca. Os procedimentos de limpeza dos tanques, por exemplo, são fundamentais para a sobrevivência das pós-larvas do camarão, que terão ambiente adequado ao crescimento e ficarão livres do ataque de predadores (ver matéria nesta edição).
Ao final da safra a despesca rende boa quantidade de camarão. Na propriedade ele mesmo congela e embala os camarões e os mantém em gelo. ''Alguns deles chegam a alcançar 250 gramas de peso e fornecem matéria-prima para pratos deliciosos'', afirma.
Salomão destaca que o cultivo do camarão da malásia é apenas um complemento da piscicultura e não pode ser vista como atividade principal. Em alguns casos, segundo ele, a mortalidade do camarão chega a 50%, o que pode explicar a desistência de alguns produtores nos últimos anos. A opinão é compartilhada pelo técnico da Emater, o engenheiro de pesca Luiz Eduardo de Sá Barreto, conhecido como Lula.

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