Calor na medida certa
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sexta-feira, 05 de março de 2010
Raquel de Carvalho<br> Reportagem Local 
As altas temperaturas registradas nas últimas semanas provocaram a morte de milhares de animais e levantaram uma questão importante para a avicultura. Os produtores devem adequar as instalações para evitar os prejuízos causados pelos cortes no fornecimento de energia elétrica, componente essencial para o funcionamento da granja.
Desligamentos programados e acidentais na rede elétrica provocaram prejuízos em várias regiões. O produtor José Antônio Cesário, de Godoi Moreira, no Vale do Ivaí, por exemplo, perdeu 27 mil aves no mês de novembro. Forte calor aliado à falta de energia causaram a morte de cerca de 600 mil aves no oeste e meio oeste de Santa Catarina. A alta taxa de mortalidade inspirou a Embrapa Suínos e Aves, com sede em Concórdia (SC), a elaborar orientações sobre procedimentos para evitar perdas nas granjas. A obra, de autoria de Paulo Giovanni de Abreu e Valéria Maria Nascimento Abreu, está disponível no site www.cnpsa.embrapa.br
A energia elétrica é item fundamental no aviário e mantém em funcionamento os nebulizadores, ventiladores e exaustores, equipamentos que proporcionam as condições para o crescimento e desenvolvimento das aves, e ainda as linhas de distribuição de ração e água nas instalações automatizadas.
Sem energia, não funcionam os equipamentos que garantem a sobrevivência das aves em altas temperaturas. O calor é, ao mesmo tempo, aliado e inimigo da produção avícola. De acordo com Valéria Abreu, pesquisadora da Embrapa, aves com até duas semanas precisam de uma temperatura ambiente entre 29 e 35 graus, que são fatais se o animal tiver entre seis e sete semanas de vida. ''Sem o condicionamento térmico adequado para cada fase, as aves morrem '', explica a pesquisadora (ver infográfico nesta página).
O investimento em geradores é a solução ideal para enfrentar o problema e faz parte das intenções do produtor José Cesário. ''Não dá para correr o risco de ficar sem energia'', afirma. Ele calcula que o custo do equipamento chega a 7% do total investido na granja, o que ''vale a pena''.
''O produtor não pode ficar à mercê da sorte'', afirma a pesquisadora da Embrapa ao defender a instalação do equipamento no aviário. Segundo ela, mesmo usando alguns procedimentos para diminuir a temperatura no galpão, as mortes podem ocorrer.
Helder Cordeiro Barroso, superintendente regional norte da Companhia Paranaense de Energia (Copel), reforça a orientação da pesquisadora da Embrapa. Segundo ele, a Copel tem feito investimentos para a melhoria da rede, visando o atendimento de avicultores e produtores de leite. (ver matéria nesta edição). ''Mas o investimento com gerador é baixo e o benefício é incalculável'', diz, acrescentando que o custo do equipamento fica entre R$ 700 e R$ 800.


