Calor e pouca chuva reduz produção
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sábado, 10 de janeiro de 1998
Cristina Côrtes 
AntecipaçãoO calor estimula a reprodução antecipada e a planta solta o pendão floral, como acontece nesta áreaApesar de chover quase diariamente na região de Londrina, a quantidade de água não tem sido suficiente para o pleno desenvolvimento das diversas hortaliças cultivadas nesta época do ano. E, mesmo utilizando a irrigação, as altas temperaturas provocam uma rápida evaporação da água, além de aumentar a incidência de pragas.
A produtividade das hortaliças no verão normalmente é menor, mas neste ano as temperaturas estão mais altas. Com menos chuva a redução pode ser um pouco mais acentuada. De acordo com informações da agrometeorologia do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar) em dezembro passado choveu apenas 100 mm, quantidade bem menor que a média histórica para este época, que é de 229 mm.
Mesmo com a irrigação, as hortaliças reduzem sua produtividade durante o verão
O técnico em meteorologia, Edmirson Borrozzino, informou também que comparado com dezembro de 96, quando choveu 296.3 mm, o índice do mês passado foi realmente bem menor. Nos registros do Iapar, a chuva mais forte no mês passado alcançou 22 mm. Este índice é considerado insuficiente, quando falamos em chuva boa para agricultura. Normalmente, para a agricultura são necessários no mínimo 25 mm de chuva, comenta Edmirson.
A temperatura também tem sido um pouco superior à registrada historicamente neste período. A média registrada no período de 76 a 96 foi 23,5 graus e a média de dezembro de 97 foi 25 graus com a máxima maior (o dia mais quente do mês) de 35 graus.
CalorA espécie que mais sofre com o calor é a alface. Os efeitos são sentidos desde o início do desenvolvimento das plantas, provocando falhas nos canteiros com a queima de várias mudas.
A alface que sobrevive, muitas vezes, acaba pendoando. Isto é, o calor estimula a reprodução antecipada e a planta solta o pendão floral que lhe dará sementes. Na Chácara Nampo, em Londrina, a horta ocupa 7 hectares (ha) com várias espécies, mas a prinicipal é a alface, que cobre 80% da área. Uma boa parte do que foi plantado em dezembro acabou pendoando, trazendo prejuízo para o produtor. A alface pendoada tem sabor diferente e não dá para comercializar, diz o produtor Tsukasa Nampo, que cultiva hortas há 30 anos.
Nampo diz que, realmente, as chuvas não estão muitos boas, e ele está tendo que irrigar mais do que o normal, para manter o desenvolvimento das plantas. Ele produz cinco tipos de alfaces e colhe durante o ano todo. Com a tecnologia e as novas variedades de sementes conseguimos plantar em todas as épocas, diz. Ele cultiva a alface lisa, crespa, americana, mimosa e chicória.
Ademar Clivati confirma que a concorrência está aumentando com novos produtores
Além da produção ser menor no verão, o produtor acaba gastando mais para produzir, principalmente com irrigação. Mas como a oferta é menor, o preço compensa e remunera melhor o produtor.
CrescimentoNos últimos anos tem crescido significativamente a produção de hortaliças na região de Londrina, que abrange os munícipios de Ibiporã, Cambé, Bela Vista do Paraíso, Rolândia e Tamarana. De acordo com alguns levantamentos feito pelo Núcleo da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento (Seab), a área de hortaliças desses municípios é de aproximadamente 19 ha.
Muitos produtores tradicionais de soja, trigo, milho e café têm reservado uma parte de sua área para as hortas. A família Clivati, por exemplo, começou com sua horta há três anos, como alternativa para se manter na propriedade.Continuamos a plantar soja e um pouco de milho, mas a produção de hortaliças é um ponto de apoio que nos garante uma renda diária, diz Ademar Clivati.
As pragas, como lagartas e pulgões, são os problemas mais sérios neste período quente e úmido
Eles comercializam sua produção diretamente com o consumidor, nas feiras do produtor organizadas pela Prefeitura de Londrina. O trabalho na horta é feito basicamente pela família. No verão eles enfrentam mais problemas com o controle de matos e pragas. Nesta época não conseguimos produzir tudo orgânicamente. Em algumas espécies, como brócolis, aplicamos produto biológico como o dipel, explica Ademar. As principais pragas são as lagartas e pulgões.
Ademir Clivati, irmão de Ademar, comenta que a concorrência está maior do que na época em que começaram. Hoje tem muita gente produzindo, buscando uma nova renda na propriedade, e um grande problema para quem está começando é a comercialização, diz.


