Depois de 10 anos de estudos, a Embrapa Agroindústria Tropical lança um novo clone de cajueiro anão precoce, o BRS 189, desenvolvido especialmente para o cultivo irrigado e para o consumo de mesa. O lançamento foi feito no final do mês passado, durante a abertura da 7ª Frutal 2000 – Semana Internacional de Fruticultura e Agroindústria e do 16º Congresso Brasileiro de Fruticultura, realizado em Fortaleza.
Doçura e belezaOs pesquisadores se dedicaram a estudar atributos e características capazes de atrair a atenção dos consumidores. A doçura e a beleza foram os pontos fortes. A coloração do BRS 189 é avermelhada, porque já está comprovado que essa tonalidade é mais atrativa. Outra característica muito importante é a textura da polpa do pedúnculo. Durante os testes, a nova variedade apresentou resistência superior aos clones que estão no mercado. Mesmo sem a realização de estudo sobre o tempo de prateleira, desde a colheita até chegar ao consumidor, a expectativa atual é de que o tempo de vida ’’de prateleira’’ poderá ser maior, devido a consistência da polpa.
Além dessa qualidade, o novo clone apresentou melhor índice de doçura (Brix 13) e menor teor de taninos, substâncias que provocam o travo na garganta.
ProduçãoOutra vantagem fundamental, apontada pelos pesquisadores, é a sua produção distribuída ao longo do ano, em cultivo irrigado, ampliando o período de apenas quatro meses da atual safra. De acordo com dados divulgados pelo Anuário da Agricultura Brasileira (Agrianual), o novo clone poderá produzir de 4.500 a 5.000 kg/ha de castanha – cerca de vinte vezes a produtividade média atual.
A nova tecnologia permite ainda o aproveitamento total do pedúnculo, que pode ser consumido in natura e na forma de polpas, sucos e doces, melhorando muito a rentabilidade da cultura. Atualmente, estima-se que as perdas pós-colheita do pedúnculo do caju podem chegar até 90% ainda no campo. Segundo o Agrianual, o Brasil é o segundo produtor mundial de castanha de caju, e ainda está longe de explorar toda a potencialidade do mercado.
O peso e o formato estão dentro das especificações do mercado, possibilitando o acondicionamento de quatro ou cinco cajus numa única bandeja. O consumidor não terá acesso imediato ao produto. Por enquanto, a tecnologia será transferida para os viveiristas que multiplicarão para os produtores e indústrias o material genético desenvolvido para comercialização. A expectativa é de que, em três anos, o caju resultante do clone BRS 189 chegue à mesa do consumidor, quando se iniciarem as primeiras colheitas comerciais.
Os produtores de mudas interessados, em investir no novo clone, deverão estar credenciados no Ministério da Agricultura e do Abastecimento como viveiristas. A Embrapa Agroindústria Tropical negociará o repasse da tecnologia. Mais informações poderão ser obtidas com a Área de Negócios Tecnológicos, pelo telefone (85) 299-1800 ou pelo e-mail: negócios@cnpat. embrapa.br