Esta constatação é da FAO (órgão das Nações Unidas para a agricultura e a alimentação) e consta de relatório divulgado no começo deste mês em Roma. Segundo o relatório, a entrada de divisas nos países em desenvolvimento via
exportação de matérias-primas agrícolas caiu 9% em 1997, segundo aquele órgão. A maior queda de receita, que no total foi semelhante à de 1996, foi proporcionada pelo algodão e borracha, informou a FAO no boletim ‘‘Situação dos Mercados de Produtos Básicos 1997-98’’. O valor das exportações de algodão caiu mais de 23%, devido à redução da produção e dos preços, destacaram funcionários da Direção de Produtos Básicos e Comércio da FAO. Além disso, as entradas de divisas ligadas à exportação de trigo, arroz e cereais secundários caíram 20% em 1997, nos países em desenvolvimento. Nos países industrializados a queda chegou a 30%.
TempestadeO informe da FAO analisa as possíveis repercussões da tempestade financeira na Ásia sobre o mercado global de produtos básicos agrícolas. A forte retração econômica naquela região e a desvalorização generalizada de moedas causaria a redução da demanda de importação, sobre todos os produtos que influem de forma relativa no nível de divisas e nos preços.
As desvalorizações também elevaram a competitividade das exportações dos países afetados. Os efeitos mais severos da crise asiática sobre os produtos agrícolas observam-se no milho, carne bovina, alimentos à base de soja, frutas procedentes das zonas de clima temperado, algodão e peles.
A FAO analisou também a estrutura e o crescimento das exportações agrícolas
dos 70 Estados da África, Caribe e do Pacífico, participantes da 4ª Convenção de Lomé, que garante a essas nações, até fevereiro do ano 2.000, acesso preferencial ao mercado e ao crédito na União Européia.
O informe adverte que o intercâmbio de produtos agrícolas entre esses
países é relativamente pequeno, ainda que tenha aumentado de US$400 milhões para US$550 milhões em menos de 10 anos. ‘‘O mercado agrícola entre os africanos, como porcentagem das exportações agrícolas desses países, alcançou 5,4% em 1993, contra 3,3% de 1980’’, relata o informe.
Essa proporção contrasta com o valor alcançado pelo comércio de produtos
agrícolas entre Canadá, Estados Unidos e México, de 30% do intercâmbio total entre os três países que assinaram o Tratado de Livre Comércio da América do Norte.

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