Cai o preço do leite no PR
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sexta-feira, 17 de outubro de 2003
Célia Guerra<br>Reportagem Local 
Mercado de leite confirma previsão de queda e fecha preço de setembro com valores ainda mais baixos. Esta semana, durante a reunião do Conselho Paritário de Produtores e Indústrias de Leite do Estado do Paraná (Conseleite), o preço referência para o produto padrão ficou em R$ 0,4360. A projeção do valor de comercialização, feita no mês passado, era de R$ 0,4404.
Desde junho, segundo o presidente do Conseleite, Ronei Volpi, o valor pago pelo leite teve queda de R$ 0,02. Apesar de admitir as dificuldades que essas baixas promovem no setor, ele as considera ''naturais'' para o período de sazonalidade do produto. A projeção de preços continua indicando baixas, e o preço esperado para outubro é de queda de mais meio centavo: R$ 0,4302.
O preço referência, como explica o presidente, não significa o valor final pago ao produtor. Há outros ítens como os de qualidade e de oportunidade de mercado que influenciam na comercialização. Os preços praticados no Estado estão entre R$ 0,40 e R$ 0,52.
Volpi acredita em uma estabilização nos preços a partir de outubro, considerado o mês de maior produção de leite no Paraná. ''O custo de produção cai com a recuperação dos pastos e isso reflete nos rendimentos'', observa. O produtor, como ilustra, ''está no fio da navalha''.
Oeste e Sudoeste - Mesmo assim, Volpi diz que tem crescido o número de pequenos produtores de leite nas regiões oeste e sudoeste do Paraná, principalmente em áres que oferecem pouca condição para outras lavouras comerciais.
A recessão ou a estagnação econômica registrada no País continua sendo apontada como responsável pela crise do setor leiteiro. ''Sem renda a população deixa de consumir leite'' lamenta Volpi. A produção no Estado não é excessiva. ''Tivemos um aumento de apenas 5% em relação ao ano passado'', compara.
O leite UHT (embalagem longa vida), além de ser o principal produto em baixa, ainda enfrenta forte concorrência com empresas de outros estados como Santa Catarina e Rio Grande do Sul. ''Eles pagam menos a seus produtores e entram no nosso mercado com preços mais atraentes para o consumidor'', afirma Volpi.
Além da situação dos preços, Volpi destaca que o setor enfrenta ainda a concorrência do preço da soja. ''Não tem como competir'', destaca, comparando ao preço de mercado da leguminonsa que esta semana foi comercializada a R$ 45,00 a saca. ''É preciso ter uma visão de mercado futuro e não se prender ao imediatismo. Investimentos da bovinocultura leiteira trazem retorno a médio e longo prazo'', orienta.


