Cafezal em flor
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sexta-feira, 13 de outubro de 2006
Reportagem Local 
Depois das chuvas dos últimos dias uma nova florada chegou anunciando uma boa safra de café. Foram floradas como essa na propriedade dos irmãos Nilto e Wanderlei Leonardi, no distrito de São Martinho, em Rolândia, que ao longo de décadas embalaram a esperança dos produtores, sobretudo no auge da cafeicultura quando eram produzidas no Estado mais de 20 milhões de sacas/ano, período em que dezenas de cidades do Norte e do Noroeste do Paraná nasceram e cresceram impulsionadas pela cafeicultura.
Para Otacílio Campíolo, de Rolândia, produzir café faz parte do DNA da família. O vínculo com essa cultura começou em 1888 quando seu avô chegou da Itália e começou a trabalhar com o café na fazenda Morro Grande, próximo a Rio Claro, interior paulista.
''Nossa família teve, ao longo desses mais de 100 anos, conquistas e perdas com o café, mas nunca abandonamos a cafeicultura. Ela sempre foi uma base para nós, atualmente dentro de uma propriedade diversificada com laranja, cana, uva'', conta.
Sobre a derrocada da cafeicultura no Paraná, Otacílio aponta que o problema começou com a implantação do Estatuto da Terra, o qual quebrou vínculos que existiam nas parcerias e colonatos. ''A grande geada de 1975 foi o tiro de misericórdia na nossa cafeicultura'', avalia.
Depois de migrar e ganhar força em outros estados, os últimos números divulgados pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estimam uma produção da safra 2006/2007 em 41,6 milhões de sacas de 60 quilos, um crescimento de 26,2% em relação à safra anterior. A produtividade prevista é de 19,48 sacas por hectare, 31,1% superior a safra passada, resultado, segundo a Conab, da melhora nos tratos culturais, incentivado pela recuperação dos preços de mercado e a bianualidade positiva da cultura.
Além do aumento da produção e da produtividade, outros fatores acenam para um período favorável à cafeicultura. O presidente do Conselho Nacional do Café (CNC), Maurício Miarelli, prevê que o Brasil será, num período de 10 anos, o maior consumidor mundial de café, com uma demanda interna anual de 21,5 milhões de sacas de 60 quilos, considerando um crescimento de 3% ao ano.
Miarelli ressalta, ainda, que as projeções da Organização Internacional do Café (OIC) apontam para um crescimento de 1,5% na demanda mundial. ''Em uma década o consumo mundial deverá passar de 123 milhões para 143 milhões de sacas'', calcula.
Caso esse cenário seja confirmado, em 10 anos as exportações do Brasil deverão crescer de uma média de 26 milhões de sacas ano para 32 milhões de sacas ano, considerando que o Brasil responde por 30% das exportações mundiais. Nessa mesma linha de raciocínio, o presidente da CNC acredita que o Brasil em uma década atingirá produção de 48 milhões de sacas.


