Cafeicultura exige apoio do Estado
''A cafeicultura do Paraná está atravessando a mesma situação vivida no início dos anos 90: preços baixos e produtores descapitalizados. Está na hora do Estado voltar a intervir''. A sugestão é do pesquisador Armando Androcioli Filho, líder do Programa de Pesquisa do Café do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar). Androcioli participou do Plano Café do Paraná, implantado em 1992, com a aplicação da tecnologia de produção Modelo Iapar de café adensado.
Para o pesquisador a falta de estímulo dos produtores pode levar o Paraná à uma nova redução da área plantada.
A sugestão do pesquisador é apoiada pelo coordenador do Setor de Previsão de Safra Cafeeira da Secretaria de Agricultura, Paulo Sérgio Franzini. Ele destaca que a cultura é uma atividade de ''grande importância social e econômica para o Estado''. Franzini completa a informação de Androcioli dizendo que aqui estão duas grandes indústria responsáveis pela exportação de 40% do café produzido no País. E a produção cafeeira já não atende a essa demanda.
A área cafeeira do Estado é de 130 milhões de ha com uma produção variando entre 2 e 2,4 milhões de sacas. É preciso, para Franzini, elevá-la para, pelo menos, 200 milhões de ha e estabilizar a produção entre 3,5 a 4 milhões de sacas. ''Essa produção não só tornaria o Paraná auto-suficiente, como permitiria atender a outros Estados do Sul e países do Mercosul.
Seguro - Para Franzini, além de melhorar a qualidade do café e da renovação de áreas, é preciso viabilizar um seguro agrícola adequado para a cultura. A renovação da cafeicultra, segundo ele, se destaca entre as propostas de trabalho da nova Câmara Setorial do Café, reconstituída em agosto passado.
Androcioli lembra que o programa Café do Paraná, na época, foi lançado como opção para os pequenos produtores em lavouras não mecanizadas. O método continua sendo o mais indicado para esse reincentivo à cafeicultura, pois garante melhor produtividade e rentabilidade, independente de mecanização. ''Aproveita a mão-de-obra familiar e ainda gera empregos''.
O sistema produtivo, de acordo com o pesquisador, apesar de exigir eficiência na mão-de-obra, tem um custo operacional mais baixo, em torno de U$ 35,00/ha.
''Mesmo em épocas de preços baixos dá para o produtor se manter na lavoura e cobrir os custos da produção''. Androcioli alerta que a proximidade da plantas pode facilitar o surgimento da ferrugem, por isso, é importante o uso das variedades resistentes já desenvolvidas pelo Iapar e que estão disponíveis no mercado.
Nos anos 90, conta o pesquisador, toda uma estrutura foi montada com o apoio de técnicos da Emater. Para facilitar a difusão da tecnologia foram instaladas mais de 700 unidades demonstrativas. Em 1994 foram criados viveiros com o apoio de prefeituras.
Naquela época, a implantação foi difícil pela resistência dos cafeicultores. ''Hoje o processo é mais fácil. O produtor busca por mais orientações dos técnicos'', afirma.
Franzini completa que o sistema permite ainda uma ''diversificação integrada''. Ele sugere, por exemplo, a instalação de uma granja de frangos em que os resíduos poderiam ser aproveitados pelo café e, ao invés de apenas uma renda anual, o produtor teria renda bimestral. ''Não é preciso que o café seja a única opção''.





