Carentes em tecnologia, cafeicultores, pesquisadores e exportadores de café da Bolívia estiveram no Brasil no mês passado para conhecer os cafezais nacionais e aprender sobre o modelo de cultivo orgânico elaborado pelo Instituto Agronômico do Paraná (Iapar).
Hoje, a produção de café na Bolívia ainda é pequena, mas seu papel social é bastante significativo para o País. Com um potencial produtivo de 250 mil hectares (ha), os cafezais ocupam apenas 50 mil ha do território boliviano. A produção atual é de 40 mil sacas/ano e a produtividade média anual é de 7 sacas/ha, menos da metade da produtividade brasileira, que gira em torno de 15 sacas/ha.
''O cultivo do café é novo. Queremos, então, estabilizar o ingresso econômico de pequenos produtores em pequenas áreas'', diz Alfredo Moya Arnes, técnico do Centro de Promoção Agropecuária Campesina (Cepac). Organização não-governamental da província de Ichilo, no estado de Santa Cruz de la Sierra, o Cepac quer incentivar agricultores familiares a cultivar café como alternativa para complementar a produção de frutas e madeira.
A visita a propriedades paranaenses, paulistas, mineiras e capixabas proporcionou à comitiva boliviana conhecer novas variedades de café, mais produtivas e resistentes à doenças como a antracnose, assim como técnicas brasileiras de produção e comercialização. ''As realidades boliviana e brasileira são bastante diferentes, mas temos os recursos e produtores heterogêneos para começar a difundir as experiências que tivemos por aqui em âmbito nacional'', completa Arnes.
O projeto do Cepac, batizado de cafeicultura amiga da natureza, tem nos solos pobres da Bolívia seu principal entrave. Por isso, entre as suas metas mais importantes está o melhoramento da produtividade nacional com a adoção de técnicas de manejo diferenciadas, que visem a correção do solo. Segundo Arnes, após a introdução das novas tecnologias, a produtividade média deverá crescer de sete para 20 sacas/ha. ''Para 2008, pretendemos atingir até 40 sacas/ha'', calcula.
De acordo com o pesquisador Tumoru Sera, do Iapar, cerca de 90% do cultivo do café na Bolívia é orgânico e voltado para pequenos e médios produtores, daí a sua importância sócio-econômica. Os cafezais concentram-se na região de Santa Cruz de la Sierra, onde foi construido um parque ecológico destinado à preservação ambiental. ''O projeto do Cepac quer fomentar o uso das terras de forma ecológica, sem danos ao ambiente, como propõe o modelo de cultivo arborizado do Iapar'', assinala Sera.
Para o pesquisador, a viagem ao Brasil abriu a cabeça dos produtores mais tradicionalistas que integravam o grupo de bolivianos. ''Com os conhecimentos adquiridos aqui eles descobrirão até onde podem avançar em termos de associativismo para serem menos vulneráveis em relação à oscilação de preço'', conclui.

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