Produtor de café há 70 anos, Amélio Chiarato garante que segue todas as recomendações para obter café de qualidade. Na hora de vender, porém, acaba misturando os grãos cereja e rio. ‘‘Se colher apenas o cereja, acabo tendo prejuízo, pois o preço pago pelo café de qualidade é apenas 20% maior’’, disse.
Segundo ele, a saca do café tipo 6, bebida dura, alcança no máximo R$ 120 no mercado e a saca de rio, R$ 105. ‘‘O custo aumenta em 20% para produzir apenas o café de qualidade. O investimento não compensa’’, avaliou. Esse ano, ele espera obter quatro mil sacas de café limpo na propriedade de 52 alqueires localizada em Alvorada do Sul. ‘‘Cafeicultor sempre espera que o próximo ano seja melhor’’, comentou.
O produtor Luiz Henrique Ferroni, cuja família possui 14 propriedades em Jacarezinho, acredita nas vantagens do café de qualidade mas também reclama do preço atual do produto. ‘‘O investimento é fácil de recuperar, apesar do mercado, hoje, ser atípico’’, analisou. Para ele, a saca de café deveria valer R$ 250. ‘‘A indústria paga R$ 100 e fatura horrores em cima disso’’. (C.A.)

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