Atualmente o Paraná tem uma área de 12 mil hectares de lavouras novas de café. Deste total, cerca de 4.500 hectares, o que dá uma média de 27 milhões de pés de café, ainda podem ser protegidos das geadas conforme orientação dos técnicos da Seab, Deral, Emater, do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar) e do Sistema Meteorológico do Paraná (Simepar).
As geadas dos últimos dias não prejudicaram as lavouras que são cultivadas no Paraná durante o inverno (trigo e milho safrinha), queimaram levemente as folhas dos cafezais que estão em colheita e das hortaliças, especialmente as folhosas, e não afetaram muito a situação das pastagens que neste período têm menor produção de massa verde. A informação é do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Agricultura do Paraná (Seab), em Curitiba e em Londrina.
No entanto, a previsão de um inverno mais ameno em relação ao que foi o do ano passado não descarta a possibilidade de geadas mais fortes e os produtores devem se manter em alerta, especialmente os que têm cafés novos, que podem ser muito prejudicados. Segundo os técnicos, no ano passado, o período mais crítico aconteceu de 13 a 28 de julho, e causou grandes prejuízos à agricultura do Paraná, especialmente o café que em muitas regiões teve uma quebra de mais de 80%. Parte desse prejuízo está refletindo agora na colheita da cultura. Houve também prejuízos no milho safrinha, pastagens e olerícolas.
Produtor atentoNo inverno de 2000, mesmo com o alerta dos técnicos, teve produtor que não se previniu. Todas as geadas ocorridas foram previstas, possibilitando que o agricultor, principalmente quem tinha café novo, evitasse prejuízos em viveiros e plantios recentes.
Segundo a agrônoma Rosângela Zaparoli Vieira, do Deral em Londrina, este ano, depois dos primeiros alertas, teve gente que enterrou o café mais novo, de seis meses, e a indicação técnica é de que continuem enterrados até passar o período mais crítico. ‘‘Para o café que tem mais de seis meses o indicado é fazer o ajuntamento de terra junto ao caule, para evitar geada de canela.’’
Safra menor Em todo o Paraná a área produtiva de café hoje soma apenas 56.500 ha, contra 142 mil hectares no ano passado, de um total de 160 mil hectares plantados. Em 2000, após as geadas, houve quebra de produção de 85%. Este ano o potencial de colheita seria de 2 milhões e 900 mil sacas mas serão colhidos apenas 430 mil sacas.
No Norte do Paraná, de acordo com Rosangela Vieira, com a redução de área (22 mil hectares em 2000 e 5.621 ha este ano) a expectativa é de uma safra menor (2.912 mil toneladas). ‘‘Parte do café cultivado no Norte do Paraná foi erradicado ou recepado e restou apenas pouco mais de 5 mil ha de área produtiva depois das geadas do ano passado.’’
Fase críticaAs lavouras de maior risco agora, segundo Vera Zardo, são o trigo, milho safrinha e café. As maiores áreas estão concentradas nas regiões Norte, Oeste e Centro-Oeste do Paraná, justamente onde as geadas foram mais fracas.
Para o trigo o frio não tem sido prejudicial; só uma geada forte poderia prejudicar a lavoura. Mas no caso do milho safrinha (que não é lavoura de inverno, mas uma opção dos agricultores) a umidade (chuvas) em cima da lavoura que pegou geada poderá afetar a qualidade final do produto.
O feijão de inverno também é altamente suscetível a baixas temperaturas. No Estado as áreas de cultivo são pequenas (22 mil hectares), em função do risco, e estão concentradas em Londrina, Cornélio Procópio, Ivaiporã, Paranavaí e Umuarama.
Ainda segundo a agrônoma, o Deral só fará um levantamento em caso de ocorrências mais fortes. ‘‘No ano passado foram várias geadas atípicas e este ano não está descartada a ocorrência novamente’’, diz Vera.
Pastagens De acordo com o técnico Adélio Borges, do Deral de Curitiba, as pastagens ainda não foram prejudicadas pelas geadas. As ocorrências mais fortes aconteceram no Sudoeste e Centro-Sul do Estado, regiões onde existe menor número de animais criados a pasto. Setenta por cento da pecuária do Estado está no Noroeste e Norte.
Por enquanto, de acordo com Borges, a cotação da arroba está estável em R$40, mas se continuarem as baixas temperaturas há uma tendência de aumento de oferta de bois nos frigoríficos. Temperaturas mais baixas exigem do animal um maior consumo de alimentos para manter o peso. Como animal perdendo peso no pasto é prejuízo, se persistirem as baixas temperaturas, poderá haver aumento no envio de bois para o abate. Um aumento na oferta do produto poderá mexer na cotação.

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