Bauru - A Cooperativa dos Cafeicultores da Região de Garça (Garcafé), que já foi a terceira maior do País, será liquidada. A decisão foi tomada segunda-feira em assembléia dos cooperados, que não concordaram novamente com a proposta da diretoria de ratear a dívida da organização, hoje em R$ 47 milhões. Pela proposta, rejeitada desde a assembléia anterior, no dia 30 de março, cada um dos 865 cooperados ofereceria uma quantia equivalente à sua fatia de negócios com a cooperativa e a dívida seria paga.
Ao decidirem pela liquidação, os cafeicultores garcenses marcaram nova reunião para segunda-feira, quando vão nomear a comissão de liquidação, com a incumbência de estabelecer o cronograma de pagamento dos débitos.
Fundada em 1962, a Garcafé chegou a ter 1 milhão de sacas de café em seu estoque e a faturar US$ 100 milhões numa safra. Mas começou a ter problemas em 1997, com a elevação das taxas de juros e a escassez de empréstimos para o setor. Hoje a dívida - revelam cooperados - aumenta em cerca de R$ 500 mil por mês.
Apesar das dificuldades, a organização ainda mantém 180 funcionários nas suas sedes de Garça (SP) e Patrocínio (MG) e atua em aproximadamente 100 municípios paulistas e mineiros. Os salários estão em dia e não existem débitos trabalhistas. A maior parte da dívida é com o governo - R$ 22 milhões - e o resto divide-se entre fornecedores, cooperados e o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
O presidente Manoel Vicente Bertone defende, em lugar da liquidação, o rateio de R$ 20 milhões entre os cooperados para atender aos compromissos de curto prazo. Lembra que parte das dívidas vencerá entre 2015 e 2025 e poderá ser administrada com a cooperativa em funcionamento, mas terá vencimento imediato se o processo de liquidação for aberto.

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