Cafeicultor substitui cama de frango pelo lodo de esgoto
PUBLICAÇÃO
sábado, 15 de dezembro de 2018
Victor Lopes <br> Reportagem Local 

Ao descer o carreador da propriedade da família Sussai, localizada em Santa Fé, o que se nota antes de tudo é a cor clara daquela terra arenosa, mostrando o desafio de fazer agricultura de alto nível na em parte da região Noroeste. Mas onde há tecnologia e, claro, empenho de quem está na lida, há boa produção, e é isso que vimos naquela propriedade de 12,1 hectares, com foco nas culturas do café e do leite. Nesse cenário, o lodo veio para agregar em um trabalho que já é de excelência.
Enquanto a média da produção de café paranaense fica entre 25 e 28 sacas por hectare - incluindo muitas vezes na terra roxa - na propriedade da família Sussai os números estão na casa de 60 sacas por hectare, uma das maiores da região. Café cheiroso, beneficiado na propriedade, e que há dois anos tem o lodo como fertilizante de um solo tão desafiador.
O produtor Claudinei Sussai, ao lado da esposa Roseli e o filho Carlos Eduardo, recebe a reportagem da FOLHA na varanda da sua casa. Cafezinho na mesa, queijo e bolacha caseira para acompanhar a conversa, e uma certeza: "O lodo veio para melhorar nossa produção, é como se fosse um fortificante para a nossa terra."
O primeiro lote recebido pela família foi em 2016. O filho Carlos Eduardo já conhecia o trabalho de uma propriedade vizinha. Quando o lodo foi proposto a Claudinei, ele não titubeou para testar nos seis hectares de café, incluindo uma área do milho para a silagem. Aliás, foi na área do grão que aconteceu a primeira surpresa. "Aplicamos na área do café e meu filho desceu esparramando no milho, mas ficou faltando um pedaço. Adubamos normalmente, e no final, o milho que ficou sem o lodo parecia na verdade que tinha ficado sem adubo. Onde havia lodo, ele ganhou em altura, a cor era mais bonita, e acabou pendoando mais rápido, o outro atrasou. Nunca tínhamos visto uma média de 180 sacas por hectare", salienta Carlos Eduardo.

Bem, no café Claudinei relata que a primeira impressão após a aplicação do lodo foi de uma planta mais esverdeada, viva, e um solo mais fresco. "Como se trata de matéria orgânica, a gente nota um solo mais fofo e que absorve melhor à água", explica o produtor.
Mas a grande alegria mesmo veio no ano passado. Tradicionalmente, a família comprava a cama de frango - uma alternativa de adubo orgânico - para aplicar na área de café. A Emater então instruiu, então, os Sussai para substituir a cama pelo lodo, e não aplicar os dois simultaneamente. Eles realizaram esse manejo e o que se viu foi um café com a mesma produtividade e beleza no resultado final, mas com um detalhe: uma economia enorme na safra. "O meu gasto com a cama de frango girava em torno de R$ 13 mil por safra. Agora, como deixei de usar, e o lodo é gratuito, é uma grande economia", salienta.
Nesta safra, a família Sussai não aplicou o lodo porque o solo não demandava o produto. Tudo é feito dentro de recomendações técnicas e precisa ser autorizado pelo IAP (Instituto Ambiental do Paraná), ou seja, não há aplicação indiscriminada do lodo. "Até a atenção sobre nossa terra é melhor, pois há um controle mais rigoroso de como estamos trabalhando com o lodo. Enquanto com o calcário não tem ninguém para fiscalizar, agora sempre tem um fiscal atento em nosso trabalho", complementa o produtor. (V.L.)


