Cafeicultor por tradição, qualidade por opção
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sábado, 25 de outubro de 2008
Raquel de Carvalho<br> Reportagem Local 
Depois de um período de intenso trabalho, dedicação e técnica para obter um bom produto, o agricultor Marcos Antônio Marques Pereira, de Lerroville, aguarda o resultado da etapa estadual do concurso Café Qualidade, programada para o dia 29, em Mandaguari.®MDBO¯®MDNM¯ O empenho de Pereira lhe valeu a quinta colocação da etapa regional e abriu caminho para disputar o pódio estadual do certame.
O agricultor deixou a sua marca de qualidade desde a primeira participação no concurso. Em 2004, inscreveu suas amostras sem muita pretensão, mas acabou alcançando o primeiro lugar na etapa estadual e recebeu o prêmio das mãos do governador Roberto Requião, numa festividade em Curitiba.
De lá para cá continou a adotar na propriedade de 7,5 alqueires as técnicas de cultivo necessárias para colher café de qualidade. Práticas relativamente simples mas que garantem um produto para disputar mercados mais exigentes. ''Hoje já não deixo o café colhido na lavoura. Lavo e separo no mesmo dia'', diz o agricultor, lembrando que a bebida perde qualidade se ficar acondicionada em sacos de um dia para outro.
Esse é um dos principais cuidados com a cultura do café. Porém, a qualidade do fruto depende da condução adequada da lavoura. É preciso estar atento ao solo, que deve ser corrigido após análise, fazer capinas e desbrota, entre outras práticas. O cafeicultor destaca o trabalho dos técnicos da Emater que prestam assistência e orientações sobre o manejo da cultura.
Marcos Pereira tem características comuns a diversos agricultores e que fazem a diferença no seu negócio: a perseverança e a criatividade. Com não tem recursos para a compra de maquinários, improvisa equipamentos para beneficiar o café. ''Fiz aqui mesmo um lavador com cerca de R$ 100; um industrial me custaria pelo menos R$ 10 mil'', afirma. Mas acrescenta que o equipamento está aquém da sua necessidade.
A perseverança une a família Pereira. Marcos, a mulher Shirley e os filhos Natália, de 18 anos, e Gabriel, de 9, dão a vida pela propriedade. O casal se dedica integralmente à lavoura e os filhos aproveitam todo o tempo livre para auxiliar os pais.
A dedicação da família diminui os problemas com a falta de mão-de-obra. Segundo o agricultor a cada safra é menor o número de pessoas que se dispõe a trabalhar na sua propriedade. ''Quem aceita (o trabalho) quer entre R$ 30,00 e R$ 80,00 por dia'', diz Pereira.
Os 32 mil pés de café das variedades Mundo Novo, Iapar e Tupi renderam ao produtor nesta safra 160 sacos de 60 quilos. Segundo Pereira, o clima este ano ajudou. ''Não geou e a chuva veio na hora certa'', afirma. Porém, o produtor se ressentiu do aumento dos insumos, sobretudo os fertilizantes. ''O adubo que no ano passado custava R$ 500,00 a tonelada, neste ano pagamos R$ 1.100,00'', afirma a esposa Shirley. O maior custo levou o produtor a diminuir a aplicação de adubo.
O prêmio e o reconhecimento pelas primeiras colocações no concurso nem sempre se traduzem em ganhos. Pereira afirma que não tem recebido mais que R$ 200,00 a saca. ''Para compensar, precisaria receber pelos menos R$ 300,00'', calcula. Mesmo assim, o cafeicultor não pensa em desistir ou abandonar as práticas que utiliza na propriedade nos últimos anos.


