Cafeicultor diferenciado não se torna refém do mercado
Não há dúvidas que aqueles produtores que ainda seguem na cafeicultura precisam buscar um diferencial na lavoura para conquistar seu espaço no mercado, e com dividendos. Um dos objetivos da sexta edição da Feira Internacional de Cafés Especiais do Norte Pioneiro do Paraná (Ficafé) é a geração de conhecimento aos cafeicultores, para que busquem novas tecnologias, técnicas, produtos para lavoura e, se desejarem, iniciar o trabalho com os cafés especiais.
Nesta Ficafé, na quarta-feira, 2 de outubro, serão realizadas palestras técnicas, que tratarão da gestão da mecanização da lavoura e também do manejo com sustentabilidade. Dessa forma, a cadeia produtiva da cultura do café no Norte Pioneiro se torna ainda mais forte e representativa.
Cafeicultor de Abatiá, Ronaldo Casado Figueiredo faz parte da quarta geração de sua família que trabalha com café. Ele está no Projeto Cafés Especiais desde 2006, mas antes disso já se preocupava em produzir um café de qualidade. "Mesmo quando trabalhava apenas com o café commodity, sempre vislumbrava qualidade e produtividade. Ingressei no projeto justamente para adquirir maior conhecimento", comenta ele.
Hoje, na sua propriedade de 30 hectares, Ronaldo estima que seja possível produzir até 50% de grãos de cafés especiais, sendo um produto acima de 85 pontos, em até 30% da área. Durante toda sua atuação na atividade, ele produziu o máximo de 200 sacas de cafés especiais em uma safra. "O projeto me proporcionou a condição de boas práticas agrícolas na colheita, pós-colheita, trabalhar com o café no terreiro, enfim, preparar esse café diferenciado."
O cafeicultor comenta ainda que se estivesse produzindo apenas o café commodity até hoje estaria "refém do mercado", que muitas vezes oferece preços baixos de comercialização. Já aqueles que trabalham com o café certificado, com pelo menos o selo do Fair Trade (comércio justo), consegue ganhos 20% superiores por saca. "Acima dos 85 pontos, os valores são diversos. Eu já comercializei um café de 88 pontos a R$ 1.020 a saca. Hoje temos no mercado compradores que pagam R$ 5 mil por uma saca", estima Figueiredo.
Para atingir tal nível de qualidade, o cafeicultor explica que o trabalho envolve várias frentes, que vão desde o tratamento na lavoura para produzir bons frutos até o momento do beneficiamento, separação por peneiras, degustações, entre outras etapas. "Também optei por fazer uma semimecanização para condução da lavoura e contratei uma empresa terceirizada para fazer a colheita mecanizada, já que o investimento para a compra da máquina seria muito alto. Dessa maneira consigo tocar 30 hectares de café com dois funcionários, reduzi os custos e agilizei a colheita." (V.L.)





