Nos áureos tempos do café no Paraná, inúmeras foram as propriedades que procuraram se estruturar, para aproveitar as boas diferenças de preços que os cafés mais bem conduzidos apresentavam. As grandes fazendas montavam lavadores/separadores de café do tipo ‘‘Maravilha’’, que faziam um bom serviço, tirando a terra do café derriçado no chão, e separando o ‘‘café bóia’’ (seco), do café cereja (vermelho) mais o verde, mesmo com alto consumo de água, e custo de bombeamento dos açudes para os reservatórios.
Imensos terreirões foram construídos, para promover a seca total, ou pré-secagem das grandes safras. O café bóia, separado, até saía rápido do terreiro para os secadores ou para as tulhas, mas os cafés cereja e verde, na secagem em conjunto, absorviam muito tempo, de grandes áreas de terreiro (um metro quadrado para 50 litros de café da roça).
A seca da mistura dos cafés cerejas e verde sempre foi o maior entrave no processo, pois a temperatura ideal para a seca do café cereja (40 graus centígrados), era e continua sendo demasiada para a seca do café verde (30 graus centígrados) e então, além de se ter uma seca demorada, tinha-se - e hoje isto continua - o café verde passando do ponto de seca e pretejando, dando origem ao café ‘‘preto verde’’ (defeito) no processo, depreciando o nosso melhor produto, que era e continua sendo o café cereja.
O uso de tulhas de descanso para o café era uma prática obrigatória, pois ali processava-se a transferência de umidade, do grão mais úmido para o mais seco, e após algum tempo, a seca continuava, até obter-se a umidade ideal para o entulhamento (11% a 12% de umidade).
Para a determinação do teor de umidade ideal para entulhamento, além de uso do determinador de umidade, pode-se considerar que: 10 litros de café em coco, pesando 4,2 quilos, indicam que este café está com 11% de umidade.
A seca em secadores foi um grande avanço e hoje ainda setem uma grande parte da safra paranaense sendo processada em secadores contínuos, muito lentos e com efeitos mecânicos danosos para o produto, além de serem em sua grande maioria equipados com fornalhas de fogo direto, influindo diretamente na perda de qualidade do produto final, agregando cheiro de fumaça e de lenha verde ao café. Defeitos estes de graves proporções, pois são facilmente detectados nas mesas de provas dos comerciantes, corretores e exportadores.
Os cafés, após a seca, deverão permanecer nas suas respectivas tulhas, por no mínimo um período de 10 dias, para a plena homogeinização da seca, podendo, após este período, ser levado para o beneficiamento.
Por tudo isso, e pela preocupação com as propriedades que iniciam sua produção daqui para a frente, é que se questiona a atuação dos setores das esferas estadual e federal, no sentido de dar condições de estruturas mais modernas às propriedades cafeeiras, pois somente assim iremos em busca do objetivo comum que é a produção do café de qualidade.
A prorrogação das dívidas do setor cafeeiro, abrindo perspectivas de novo acesso ao crédito subsidiado, e uma utilização de recursos do Funcafé no setor ao qual ele pertence, seriam de vital importância para uma reestruturação das propriedades mais antigas, e montagem de equipamentos modernos nas propriedades novas, o que certamente seria de extrema importância para o sucesso da atividade.
O autor é engenheiro agrônomo em Cornélio Procópio.

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