Logo após a primeira grande geada de julho, quando a maior parte dos cafeeiros norte-paranaenses e de outras regiões produtoras do País sofreu danos de intensidade variada, técnicos do Ministério da Agricultura, Iapar, Emater e outras instituições recomendaram aos produtores que esperassem dois a quatro meses antes de resolver como podar as árvores afetadas que poderiam voltar a produzir.
Essa espera seria importante, para os cafeeiros voltarem a produzir normalmente quanto antes, pois falta dinheiro para a espera. Conforme a poda, as árvores produzirão a primeira carga já em 2002, ou um ano mais tarde. Em setembro, cafeicultores que puderam ter certeza dos efeitos do frio em suas lavouras, passaram a fazer a poda, porém alguns acharam que era caso de recepa, embora as plantas tivessem ramos laterais que poderiam frutificar e estar maduros daqui a dois anos.
Em situações assim, da existência de ramos laterais verdes, a recomendação dos técnicos é fazer um ‘‘decote’’, seguido por esqueletamento, como explica o engenheiro-agrônomo e cafeicultor Francisco Barbosa, do Departamento de Café do Ministério da Agricultura (matéria nas páginas 6 e 7). Isso possibilitará às plantas produzirem em 2002. Mas, se a opção for a recepa, o agricultor colherá café de novo, na lavoura recepada, apenas daqui a três anos.
Se o caso é o ‘‘esqueletamento’’, o agricultor deve fazer o ‘‘decote’’, um corte no topo da árvore, e cortar os ramos laterais da seguinte maneira: no terço superior, deixar de 10 a 15 cm de ramo; dos ramos mais próximos do solo, deixar de 30 a 40 cm. É importante deixar ramos ou partes dos ramos, se isso for possível, porque é neles que nascem os grãos de café. Fazendo-se a poda radical, os tocos de troncos é que brotarão, para dar origem a novos ramos, retardando a safra futura.
Além da poda, os cafeeiros geados precisam de outras atenções, para produzirem logo, e produzirem bem: principalmente a adubação. Enquanto espera, o cafeicultor pode obter alguma renda nas entrelinhas do cafezal geado. Mais informações estão nas páginas 6 e 7 desta edição.
O autor é editor da Folha Rural.

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