O preço do café tipo arábica na última quarta-feira, dia 24, registrou um dos maiores valores já computados no ano, fechando o dia a R$ 500,41 a saca de 60 quilos, segundo o levantamento realizado pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada, da Escola Superior Luiz de Queiroz (Cepea/Esalq). Se comparado a mesma quarta-feira da semana passada, o valor do produto registrou um acréscimo de 4,84% ou R$ 23,1 por saca.
Paulo Franzini, coordenador da área de café do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab), revela que os baixos estoques brasileiros, a produção estável e o aumento do consumo, pressionaram os preços do café para cima. ''A partir do final de 2010, os preços entraram em uma escala positiva de crescimento, aquecendo a economia setorial'', analisa.
Em consequência disso, Franzini destaca que o produtor já está sendo beneficiado pelo aquecimento dos preços do café. Segundo o especialista, em 2010, a média de preço pago aos produtores paranaenses fechou em R$ 247,52 a saca de 60 quilos, R$ 23,6 a mais do que o valor registrado em 2009, sendo que o crescimento não parou por aí. De janeiro a julho desse ano, o preço médio pago foi de R$ 403,64/sc.
No fechamento do mês de julho deste ano, o valor pago ao agricultor paranaense foi de R$ 411,97, o que representa R$ 162,02 a mais do que o comparado ao mesmo mês de 2010. ''Quando os preços estavam baixos, os produtores não tinham renda, muitos deles amargaram fortes prejuízos'', sublinha. Porém, segundo ele, o cenário que o setor vive atualmente é bem diferente. ''O produtor que investiu nos últimos anos já está colhendo os frutos do seu trabalho'', enfatiza.
Os investimentos que Franzini menciona se referem à inserção de tecnologias aplicadas nas lavouras e também ao manejo adequado à cultura, como o sistema de adensamento do café que, segundo ele, proporcionou um aumento na produtividade.''Nos anos 1990, a produtividade no Paraná era de 10 sacas por hectare. Já no ano passado, esse número passou para 28 sacas por hectare'', assinala. Segundo Franzini, apesar do Estado ter reduzido a sua área plantada, o volume de produção, por meio do incentivo à produtividade, está crescendo.
A safra
De acordo com o último levantamento de safra da cultura cafeeira, realizado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), o Brasil deverá colher neste ano 43,54 milhões de sacas das variedades arábica e conilon. O volume, segundo a entidade, é 9,5% menor do que 2010. Um dos fatores que motivou esse declínio na produção, segundo a Conab, teria sido a queda na área plantada de 0,31% nesse ano, totalizando 2.282,1 mil hectares. Além disso, informa a entidade, algumas regiões do Brasil, como o nordeste, por exemplo, foram prejudicadas pelas condições climáticas desfavoráveis.
Já no Paraná, que representa 3,9% da produção de café do País, o clima foi favorável nesse ano, com precipitações próximas da média favorável para as lavouras. Com isso, segundo a Conab, a maturação e a colheita dos frutos será favorecida. A produção total estimada para o Paraná em 2011 é de 1,71 milhão de sacas. O número é 25,4% menor do que no ano passado. Porém, de acordo com a Conab, essa queda de percentual é normal, principalmente considerando a bianulidade da produção cafeeira.
No ano passado, por exemplo, a produção no Paraná foi de 2,28 milhões de sacas. Com a recuperação dos preços recebidos pelos produtores nos últimos meses, eles se mostram otimistas quanto à obtenção de renda financeira para a atual safra. Neste ano, a produção paranaense deve ser de 1.705,0 mil sacas de café, em uma área de 75.497 hectares, contra 81.874 ha do ano passado.
Em consequência da diminuição de área, o número de covas dos cafezais também reduziu. Em 2010, o Paraná cultivava 289.640 covas. Nessa safra, o Estado tem 271.100, uma redução de 6,4%. Porém, segundo a Conab, a produção paranaense ganhará em produtividade, que neste ano deve ser de 22,58 sacas por hectare, índice superior a média nacional, que é de 20,76 saca/ha.

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