Mesmo correndo riscos climáticos de longos veranicos e períodos chuvosos em plena colheita, a produção de amendoim em Cafeara (103 km ao norte de Londrina) se destaca no Estado. O município está se tornando pólo da cultura do amendoim tatu, destinada ao consumo das fábricas de doces e outros derivados. São seis anos de tradição, mantidos pela rentabilidade superior a 100%, aliada a alta produtividade, baixo custo de produção e utilização combinada de máquinas e mão-de-obra familiar.
Nesta safra de verão, 12 produtores estão concluindo a colheita de 34 alqueires. A produtividade está abaixo do desejável, entre 250 e 300 sacas (de 25 kg) por alqueire, devido ao período de estiagem. Mesmo assim, descontado o custo de produção médio de R$ 12,00, a margem de lucro está garantida.
A comercialização será feita em Montalvão (SP), também fornecedora de sementes, com preço final variando entre R$ 25,00 e R$ 28,00/sc do amendoim em casca. A expectativa total de colheita é de 184.000 kg, que devem injetar na economia local quase R$ 200 mil.
O produtor Isaac Maia Lemes, 43 anos, presidente da Associação de Desenvolvimento de Cafeara (Adeccaf), destinou 1,5 alqueires do sítio de 3,5 alqueires para o amendoim, em parceria com dois filhos e dois sobrinhos. Estão terminando a colheita de 400 sacas do amendoim semeado no final de outubro.
O grupo está satisfeito com a cultura por ter ciclo menor em relação às outras culturas de verão, ser menos exigente em tecnologia menos suscetível à pragas e doenças. ''Fizemos apenas 3 aplicações de inseticidas para o controle de lagartas e uma de fungicida para a cercospora'', assegura Lemes.
Outro plantador de amendoim, Santin Fabrin, 65 anos, está terminando a colheita na área de 9 alqueires, e reforça os aspectos positivos da cultura. ''Se fosse ruim já tinha parado''. Ele enfrentou doenças (mancha pinta preta) mas justifica a ocorrência por ter plantado três anos sucessivos na mesma área. Destaca que, pelos baixos custos, o preço remunera bem.
Fabrin reclama da falta de uma fábrica de óleo na região e critica a burocracia bancária que os impede de fazer o seguro da cultura.
Segundo o engenheiro agrônomo Antônio Carlos Rebeschini, da Emater, os 12 produtores são associados à Adeccaf. A entidade recebeu recursos do Programa Paraná 12 Meses, para compra de uma colheitadeira. A máquina foi incoporada às outras quatro que a associação já dispunha.
O técnico destaca que, além de ser uma ''excelente'' alternativa de diversificação, o amendoim tem potencial de crescimento. ''Gera emprego e renda familiar; tem baixo custo e alta rentabilidade e, pelo ciclo curto, ainda permite antecipar a safra do feijão de inverno'', enfatiza Rebeschini.

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