Café vive momento de euforia
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sexta-feira, 28 de maio de 1999
Jota Oliveira 
A lavoura cafeeira do Brasil vive uma boa fase em consequência da renovação feita depois da melhoria dos preços a partir da safra 93-94, e está se expandindo. Na opinião do presidente do Procafé, ex-coordenador de pesquisa cafeeira do agora extinto IBC, José Braz Matiello, o aumento do parque cafeeiro nacional, a partir deste ano, pode até tornar-se excessivo. E não é só o Brasil que aumenta sua área plantada. Isto ocorre também no Exterior, inclusive no Sudeste da Ásia.
Mas, por enquanto (o parque cafeeiro) está num nível bom, colocando 1,6 bilhão de novos pés de café em condições de produtividade, no Brasil. A produtividade igualmente vem aumentando. O parque cafeeiro do Brasil chegaria a 4,8 bilhões de pés, numa área de 2,2 milhões de hectares, o que daria média de 34 milhões de sacas. Matiello esteve esta semana em Londrina, participando do 3º Seminário Internacional sobre Biotecnologia na Agroindústria Cafeeira.
CrescimentoA cafeicultura está crescendo em todas as regiões produtoras do Brasil, porém Minas representa 70% do parque cafeeiro nacional, com 2 bilhões e 5 milhões de pés; no Cerrado e em Rondônia, tem bastante gente do Paraná, do Espírito Santo, plantando robusta. Na Bahia, o crescimento proporcional foi grande, porque tinha pouco café. São Paulo é o Estado onde a cafeicultura cresceu menos e está por volta dos 350 milhões de pés de café - na década de 70 tinha 900 milhões de pés.
No outro lado do Planeta, os chineses estão interessados em consumir mais café. No mês passado Matiello esteve na China, e constatou isso. Aquele país tem 48 milhões de hectares em zonas tropical e subtropical, aptas à produção de cana, manga, seringueira, frutas em geral. Café os chineses ainda têm pouco, apenas 8 mil hectares, apesar de terem dobrado a produção em cinco anos: de 160 mil para mais de 300 mil sacas este ano, devido ao crescimetno da economia. estimulada pela abertura.
Outros países do Sudeste asiático têm ampliado a área cafeeira. O Vietnã passou de 200-300 mil sacas para 6 milhões e quer chegar aos 10 milhões. A maior parte do café no Vietnã é de robusta, mas os vietnamitas pretendem produzir pelo menos 2 milhões de arábica.
Uganda, na África, também voltou a investir bastante em café, assim como Honduras e outros países da América Central. Na Colômbia a cafeicultura encontra-se mais ou menos estável, sendo apenas renovada. Temos visto que em todo o mundo estão tentando aproveitar a fase de preços. O Brasil é que tem maior capacidade de ampliar a área e a produção, mas precisa saber até que ponto isto é desejável. O técnico lembra que, na média das últimas duas safras a produção mundial está em 103-104 milhões de sacas, para um consumo da mesma ordem. No mundo, o café brasileiro está barato, porque em dólar, a US$100 por saca é considerado barato. Já chegou a US$40, mas isto é muito baixo e o dólar não era inflacionário. O dólar nestes últimos 15-20 anos teve inflação de 40%. O dólar real valeria uns 80 hoje, analisa. Cem dólares são um preço competitivo em café arábica, mas em robusta teria que ser 60-80 dólares.
ProdutividadeO presidente do Procafé calcula que a produtividade global de café varia de 9 a 10 sacos por hectare, enquanto a média brasileira pode ser considerada em 16-20 sacas. Com aquele parque e essa produtividade, o Brasil caminha para retomar sua posição no mercado internacional - em vista de frustrações de safras, redução de área plantada, o Brasil acabou perdendo uma parcela de seus clientes para outros países cafeeiros.
Problemas climáticos - uma geada, uma seca -, que são fortuitos, poderiam impedir hoje o Brasil de reconquistar mercado. Porém, o País já tem mais de 300 mil hectares de café irrigado; está diminuindo os riscos nas áreas novas, no Triângulo Mineiro, principalmente. E, não tendo nenhum problema climático grave, é preciso liquidar a cafeicultura improdutiva, para retomar o mercado externo de 18-20 milhões de sacas, mais o consumo interno, cuja meta é alcançar 15 milhões de sacas (atualmente são 12 milhões - antes eram 8 milhões) até 2003. Considerando a crise de consumo em geral, causada pela perda do poder aquisitivo dos brasileiros, Matiello acha difícil essa meta ser atingida.
QualidadePorém, a qualidade do café brasileiro melhorou muito. Em boa parte pelo capricho. O ex-coordenador de pesquisa do IBC destaca que os cafeicultores têm mais cuidados na produção, até porque o diferencial de preço está grande. A diferença entre o café baixo, sem bebida, e o café de qualidade chega a R$40,00-R$50,00 por saca. Fala-se em R$200,00 a saca do café fino, enquanto o produto sem bebida estava a R$120,00 e só há pouco chegou a R$140,00. O robusta estava valendo mais do que café sem bebida. Toda vez que isso ocorre, observa Matiello, o produtor cuida mais da colheita. Só que a qualidade vai depender muito do clima agora no inverno, porque se não é chuvoso, tira café de melhor bebida. No Paraná estão percorrendo o Estado inteiro, buscando alertar para isso. (Campanha de qualidade denominada Café Qualidade Paraná.)


