Com os piores preços dos últimos 30 anos, a atividade cafeeira enfrenta crise que parece ter pouca perspectiva de melhora no curto e médio prazos. Nos últimos três anos, com o gradativo aumento de produção, o problema vem se intensificando e é comum os preços ficarem abaixo do mínimo histórico de US$ 48 a saca.
Operadores do mercado lembram com saudade dos anos 80, especialmente 1986, quando o produto chegou a ser negociado a US$ 252,2/saca. Atualmente está no patamar de US$ 30/saca (entre R$ 90,00 e R$ 95,00), para os melhores tipos, como o tipo 6 bebendo duro. Os produtores alegam que o custo de produção está entre US$ 50 e US$ 60/saca.
O excesso de produção é um dos principais fatores desencadeadores da crise. A produção mundial está estimada em 115 milhões de sacas, sendo 45 milhões só do Brasil, quando o consumo não passa de 105 milhões. Para este ano, estoques mundiais devem chegar a 20,4 milhões de sacas.
Para o presidente do Centro de Comércio de Café do Norte do Paraná, Rosalvo Neves da Silva, a implantação de um zoneamento de plantio para o café e mais investimento em marketing interno são fundamentais para superar crise, mas não se pode esperar resultados imediatos.
''Não tem sentido um país do tamanho do nosso apenas consumir 13,5 milhões de sacas e a nossa produção não pode continuar sendo realizada de forma descontrolada'', criticou.
Mas, esta semana, começou a ser aplicada uma medida que promete resultados imediatos: os leilões de opções. Rosalvo Silva acha esta medida de intervenção - os contratos de opções - garante um adicional de até R$ 15,00/saca. Os leilões, em setembro e outubro, oferecem a opção de venda para café arábica (tipo 6, bebida dura para melhor) a R$ 130,00/saca para exercício em dezembro de 2002, e até R$ 135,00 para contratos com exercício em março de 2003, serve como ''alívio'', mas não resolve o problema. ''A medida poderá estimular aumento de R$ 10 a R$ 15 no preço de mercado, mas isso ainda não cobre os custos, e não regulariza a produção excessiva.''
O leilão realizado na quarta-feira confirmou a previsão de Silva.
Desânimo - A longo prazo, porém, nem o mercado nem as políticas oficiais, acenam com soluções. Sem muita perspectiva, alguns produtores abandonam as lavouras, e outros ainda estocam a produção, na esperança que no ano que vem o mercado melhore.
É o caso do produtor rural Luiz Antonio Lenartovicz, de Cambira (19 km a oeste de Apucarana), que tem a família envolvida na produção de café há 40 anos.
Com 100 mil pés de cafés plantados, Lenartovicz chega a colher 3 mil sacas de café em área de produção de 30 alqueires. Da safra passada, ainda estão estocadas mil sacas de café e a produção atual deverá ter o mesmo destino. ''A nossa esperança é que o preço melhore no ano que vem. Se isso não acontecer, devemos reduzir a produção pela metade e substituir por soja, porque o café está se tornando uma cultura inviável'', afirmou. ''A gente tenta segurar ao máximo, mas, às vezes, somos obrigados a vender parceladamente para ir comprando os insumos necessários e sanar as dívidas'', acrescentou.
No Norte Pioneiro, um outro produtor também reclama da dificuldade de comercialização. Pensa em desistir da produção de café, mas se preocupa com as consequências socias disso. Na sua propriedade, com 200 mil pés de cafés e produção estimada de quatro a cinco mil sacas, emprega de forma fixa 50 pessoas. Como alternativa, produtor pensa em substituir produção por soja e gado. No seu caso, não costuma estocar o produto; metade do que foi colhido já foi vendido e a expectativa é vender toda produção.

mockup