Café promete qualidade e preço
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sábado, 18 de janeiro de 2003
Oswaldo Petrin<br> Repotagem Local 
O preço do café, que fechou dezembro em queda, com pouca oferta e menor interesse dos compradores, reagiu em janeiro, voltando a oscilar entre R$ 160,00 e R$ 165,00 no mercado físico do Paraná, para cafés tipo 6, bebendo duro. Lotes de cafés finos foram negociados a R$ 170,00/175,00 nas praças de Apucarana, Cornélio Procópio, Mandaguarí e Maringá, esta semana. Cafés acima de R$ 170,00 referem-se a poucos lotes, especiais.
O leilão desta semana reafirmou as boas condições do mercado, negociando 99% do total ofertado, ao preço médio de R$ 125,04/saca para cafés médios. Comerciantes de Londrina avaliaram como referencial animador o resultado do leilão.
No campo, a granação da próxima safra vai bem. A alteração fisiológica causada pela seca no ano passado resultou no amadurecimento precoce dos grãos da primeira florada, em julho. O que não foi prejudicado, está com bom aspecto, estimulando a catação.
Perguntado sobre a qualidade desses grãos de maturação precoce, o comerciante Marcos Bacceti, de Londrina, previu que a qualidade será muito boa. Ele disse que os agricultores que começaram a catação esta semana acertaram pois, com certeza, conseguirão diferencial de preços pelo café cereja despolpado.
A colheita, contudo, ainda demora. Mas as condições de clima nos últimos meses tem ajudado o enchimento de grãos, autorizando prever que a qualidade será muito boa, confirmam outros especialistas.
A colheita começa maio, mas no final de março a começo de abril algumas máquinas beneficiadoras devem receber cafés da nova safra. Comerciantes estão apostando numa produção maior no Paraná, acima da previsão oficial de 1,8 milhão de sacas.
Bacceti faz uma ressalva: esse quadro favorável tanto na qualidade como em volume, é uma situação específica do Paraná; em Minas o cenário é muito diferente. As lavouras não foram recuperadas da seca do ano passado. Muitas ainda sofrem de estresse hídrico e o enchimento de grãos ou está atrasado ou já foi afetado. As chuvas das últimas semanas em Minas Gerais não mudam esse quadro. E no Estado de São Paulo a maior parte das lavouras com mais de cinco anos foi afetada. Isto pode comprometer os números finais da safra brasileira, segundo a Conab de 28 milhões de saca.
O Conselho Nacional do Café (CNC) informou esta semana que os estoques de café beneficiado nas cooperativas somavam 7,6 milhões de sacas no final de dezembro. Esse volume supera em 85,4% o de dezembro de 2001.
O volume de café comercializado no mês passado atingiu 852 mil sacas, 64% acima do negociado no mesmo período de 2001, segundo dados do CNC. O recebimento de café em dezembro pelas cooperativas superava em 99% o do mesmo período anterior.


