O agricultor João Scaloni Fassula, do Distrito da Warta, foi o vencedor do 1º Concurso Qualidade Café de Londrina, uma promoção do Grupo de Trabalho Café para Londrina e Secretaria Municipal de Agricultura e Abastecimento. A família Fassula cultiva 16 hectares de café em plantio convencional e uma pequena área, de quatro mil pés, de adensado. Em parte do cafezal antigo plantou-se há três anos um café novo, para fazer um adensamento da lavoura. ‘‘Este ano deu uma boa colheita’’, comemoram João e seu irmão José Valter, que também é sócio no cafezal.
O prêmio do primeiro colocado é a venda de toda sua produção para uma torrefadora londrinense, com ágio de 10% em cima do preço de mercado. Os outros quatro primeiros colocados receberão insumos para uso na cultura.
Tradição familiarA família Fassula, conta João, está na cultura do café desde que o pai, Rodolfo, chegou ao Norte do Paraná em 1946. A cultura serve hoje de rendimento para os três irmãos e seu pai. Eles ainda mantêm um pouco de plantio de soja e uma máquina de arroz na cidade. Na cultura do café, segundo o produtor, ao longo dos anos houve uma redução na área de plantio, ‘‘mas nunca desistimos do café; é questão de tradição’’. ‘‘É uma cultura que dá para se manter’’, garante José Valter. Segundo ele, mesmo na época de baixos preços, quando muita gente erradicou o café naquela região, a opção foi continuar na cultura.
‘‘O café tem problema de ferrugem, praga-mineira (ou bicho-mineiro), broca. Como qualquer outra cultura tem que controlar essas pragas e doenças, mas existe a vantagem de empregar mais mão-de-obra; durante o ano todo há serviço de capina, desbrota, adubação e arruação, entre outros, além da colheita. Outra vantagem da cultura é ser bem resistente à seca’’, garantem João e José Valter.
Colheita no panoHá dois anos os irmãos Fassula colhem o café no pano, procurando obter mais qualidade e ‘‘bebida’’. Várias análises, segundo João, já foram feitas para verificar qualidade e bebida do café. ‘‘Sempre o café colhido no pano dá bebida’’. O produtor segue as recomendações técnicas. Colhe no pano, seca no terreiro, usa secador. Este ano construiu nova tulha para armazenamento.
Na safra, mesmo com todos os problemas climáticos, foram colhidos 1500 sacos de café em coco, ou uma média de 90/95 sacos por hectare. No café mais novo, a produtividade, se fôsse em hectare (quatro mil pés não chegam a um hectare) daria uma média de 200 sacos/hectare. Do total colhido, cerca de 1100 sacos, garantem os irmãos Fassula, são de boa qualidade.
João lembra ainda que a qualidade está ligada diretamente à colheita e à seca do café. ‘‘Depois da colheita o café fica de 12 a 15 dias no terreirão, para a meia seca e só depois vai para o secador. Durante esse processo é sempre separado o café bom do café verde. No secador são mais 50/60 horas para secar totalmente o café.’’
O concursoForam analisadas amostras de café em coco produzido por 44 produtores do município de Londrina. Técnicos da Emater, secretarias municipal e estadual de Agricultura e das cooperativas Integrada e Valcoop, de Londrina, foram responsáveis pela coleta de amostras.
As provas foram realizadas pelo Departamento Nacional do Café (Denac), ligado ao Ministério da Indústria, Comércio e Turismo, e Centro de Comércio do Café do Norte do Paraná. Entre outros itens verificaram-se nível de umidade, aspecto do grão e bebida.
DificuldadesDe acordo com o agrônomo da Secretaria Municipal de Agricultura e Abastecimento de Londrina, Jefferson Costa Hernandez, o produtor de café, de modo geral, domina bem o plantio, tratos culturais, controle de pragas e doenças mas, na hora da colheita, ainda tem problemas.
‘‘A falta do pano na hora da colheita prejudica a qualidade. Muitos produtores sequer têm conhecimento do tipo e bebida do café que produzem. Num ano de chuvas como este, uma secagem mal feita também altera o tipo do caf钒.
O agrônomo lembra que a qualidade depende não só da boa condução da lavoura (plantio, adubação, colheita seletiva) mas também da secagem do café. ‘‘O café deverá ser esparramado no terreirão, para secagem uniforme. A seca, dependendo do clima, levará de duas a três semanas. ‘‘É um trabalho importante para preservar a qualidade do produto.’’
Bom armazenamento‘‘O café que será armazenado não poderá ter mais de 12% de umidade’’, avisa o agrônomo. O armazenamento deverá ser feito em tulhas bem vedadas, sem goteiras, evitando também a insolação.
O café é armazenado em coco para conservar as características do grão. Na hora de vender, o produtor poderá beneficiar apenas o lote a ser comercializado, a fim de conseguir preços melhores. Os técnicos recomendam uma venda escalonada, de mês a mês, para que se tenha sempre uma renda.

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